Vozes da Liberdade - Os Escritores Engajados do Século XIX

    Michel Winock

    Bertrand Brasil
    2006
    877 páginas
    1d 5h 14m
    ISBN-10: 8528610829
    Português Brasileiro

    Michel Winock reúne neste 'As vozes da liberdade - Os escritores engajados do século XIX' relatos sobre as lutas que os homens de letras - Victor Hugo, Stendhal, Balzac, Flaubert, Maupassant, Zola, entre outros - travaram contra o poder. De 1815 a 1885, seis regimes sucederam-se na França de forma estonteante - a breve ressurreição do Império, a Restauração, a Monarquia de Julho, a II República, o Segundo Império e a III República. Durante toda essa época, vários escritores envolveram-se na luta contra essa autoridade. Quaisquer que fossem o regime e suas tendências, elas sofreram na pele e no bolso pela coragem de assumir posições. Fundaram jornais e revistas, comprometeram-se em seus artigos e até mesmo em seus livros, expondo-se muitas vezes à prisão e ao exílio. Para melhor defender suas idéias, lançaram-se na luta eleitoral, algumas se tornando deputados, senadores e até ministros. O público da época, que muitas vezes as conhecia mais pelas suas obras literárias - quando ambas não se confundiam numa mesma batalha -, sabia distingui-las. Seus nomes? Chateaubriand, Constant, Guizot, Madame de Staël, Victor Hugo, Stendhal, Balzac, George Sand, Michelet, Lamartine, Quinet, Renan, Flaubert, Maupassant, Zola, Vallès e tantos outros que souberam unir política e literatura. 'As vozes da liberdade' não consiste simplesmente de ensaios ou teorias. É, enfim, a história do compromisso social de homens e mulheres - cujos dons políticos mostram-se tão fortes quanto os literários - na luta pela liberdade.

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    Maurício Saraiva01/08/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Algumas Vozes...

    A pesquisa histórica foi muito bem feita, e o Autor conseguiu escrever um livro leve e agradável, mesmo sendo tão extenso. Muitas vezes me senti de volta às minhas leituras da juventude, quando apreciava mais esses temas políticos do século XIX. Winock seguiu um plano bem convencional, muito semelhante ao das velhas aulas de História do Ensino Médio: liberais iluministas, românticos, socialistas utópicos, positivistas, radicais, até às vésperas do socialismo científico, que ele apenas margeia. Sua noção de "esquerda" é rigorosamente marxista, ao ponto de dizer que "no início do século XIX, a esquerda defendia o capitalismo". Me lembrou muito a visão do velho PCB, com suas etapas históricas até o futuro comunista. Senti bastante falta de autores realmente comprometidos com a liberdade e a democracia, como Hamilton, Bastiat, Stuart Mill ou Lord Acton, para não falar dos liberais austríacos. Aparte do livro que trata da "Monarquia de Julho" (1830-1848) é a que mais trai o preconceito com "a burguesia" de Winock. Um período de inegável progresso e estabilidade é apresentado como de decadência moral, mesquinharia e corrupção (uma atitude romântica onde nobres e socialistas se unem para lamentar o avanço do "egoísmo burguês"). No fim, um ponto de vista meio ultrapassado do século XIX, mas uma leitura agradável.

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