Abilio Estévez escreve a história de uma forma peculiar. As falas dos personagens, a descrição das cenas, pensamentos (dos personagens e do autor) se misturam de forma fluida, às vezes confundido o leitor de maneira proposital.
A trama se passa num lugar chamado Ilha, que é realmente uma porção de terra rodeada de água. Acontecimentos estranhos; uma chuva que dá sinais de que se aproxima mas que parece nunca chegar; visões; etc. Alguém é encontrado ferido, mas tem feições de algum de fora deste mundo.
O autor tem todo um modo lírico de contar a história, usando toda a sua erudição (cita outros autores, artistas, obras, lugares, culturas, etc.) o que pode não agradar quem espera que o livro será uma história linear sobre um grande mistério que se revelará ao final como sugere sua orelha (na verdade, o mistério é revelado), mas será um prato cheio pra quem está mais interessado numa livro que conta COMO as as coisas acontecem do que O QUE acontece, ou seja, vivenciar aquela história e entrar na mente dos personagens.
Ao fim, o verdadeiro autor é revelado. Seria o autor Deus? A obra pode parecer um pouco pretensiosa, mas ao fim, a leitura terá valido a pena.