“Splinter Cell” é um thriller militar com todas as características já peculiares a Tom Clancy: extrema precisão técnica, tensão geopolítica como motor da narrativa e um olhar detalhista sobre operações militares e inteligência internacional.
Equipamentos de vigilância, protocolos e estratégias de inteligência e contrainteligência são descritos com cuidado, o que dá à obra uma sensação de realismo que aproxima o leitor dos bastidores da espionagem, deixando a narrativa com mais verossimilhança e, dentro de um limite, plausível.
Em contrapartida, não há nada de inovador na sua narrativa. O texto privilegia descrições objetivas e diálogos diretos, um traço de Clancy como escritor, e isso se reflete no seu protagonista sempre pragmático e emocionalmente contido.
Apesar de ser um derivado que amplia a obra original, afinal o universo de “Splinter Cell” tem a sua origem em um game com o mesmo nome, o livro se sustenta de maneira independente e pode ser lido sem a obrigação de conhecer o jogo ou qualquer coisa relacionada a ele.
No geral, “Splinter Cell” é um bom livro. Sólido ao que se propõe. Não é uma obra para introspecção ou voltada à uma literatura com um teor mais profundo, mas diverte e te prende como qualquer obra de Clancy.
Uma curiosidade besta: a série de livros é escrita, em sua maioria por “David Michaels”, um pseudônimo adotado pelos vários escritores responsáveis pela série. Até onde pude pesquisar, é uma decisão adotada para manter uma consistência à franquia sem que a mudança de autores confunda de alguma forma o leitor ou dilua sua conexão com a obra.
Não sei se essa “ferramenta' era necessária, mas quem sou eu para opinar no que não me diz respeito?