Neste romance, Ana Maria Machado lança um novo olhar sobre a figura mitológica de Saturno, ou Cronos, deus do tempo. À imagem do gigante devorador dos próprios filhos, ela acrescenta a de um jardineiro que cultiva pacientemente os indivíduos até o momento da madureza e da inevitável colheita. Ao descrever a trajetória dos múltiplos personagens, este livro faz uma bela reflexão sobre os efeitos do tempo sobre as pessoas.
Canteiros de Saturno -
Ana Maria Machado
Edições (1)
Ver maisSaturno e as árvores.
Sempre gostei de Ana Maria Machado. Ao divisar um título dela no meio de tantos outros...Não resisti. Tinha que dar um jeito de ler. Afinal, nunca havia lido nada dela direcionado para o público adulto. Era uma necessidade. Infelizmente, não curti muito a leitura. E, longe de querer ser vaidosa, senti uma semelhança absurda entre mim e ela. E me refiro a forma de escrever. Sou do tipo que costuma usar muito o pretérito mais que perfeito do indicativo nos verbos - decidira, interferira...Enfim... É a primeira vez que noto esse aspecto em um escritor. É besteira dizer, mas percebi que esse é um detalhe bastante sutil. Lembro-me que alguém ao ler o que escrevia disse que era algo raro. Difícil ver alguém escrevendo nesse tempo verbal. Acabei introjetando a informação. Segundo: quando escrevo não utilizo muitas falas. Mas, sim, parágrafos e parágrafos de sentimentos em relação as personagens. Na ocasião - pois, confesso, não escrevo há tempos - levei um certo puxão de orelha. E decidi que tinha de aprender como fazer algo mais direto, mais limpo. E desde então, venho lendo vários autores para sentir os diversos estilos. É a primeira vez que noto essa semelhança. Coisa tola, eu sei. Longe de ser uma Ana Maria Machado (impossível, claro.), mas essa semelhança doeu um pouco. Ainda mais porque...Não gostei tanto. A história gira em torno de algumas personagens às voltas com seus problemas românticos. Para mim, havia muita digressão. Uma personagem entrava às voltas com suas teses sobre a vida e lá se iam páginas e páginas. Teorias literárias, sobre o Brasil, política...Achei um pouco chato. Embora, todos esses pensamentos constituíam a personagem e nos mostravam quem era ela. Tudo, para mim, foi muito confuso. Uma ciranda viva de casais. Troca dali, troca de cá. Fica aqui, fica acolá. Será que eu sou muito moralista? Ainda mais porque a autora insistia em manter uma personagem ligada à Terra, às árvores. Paradoxo mortal! Uma árvore finca raízes, constitui um terreno sólido. As histórias do livro eram buscas. Tudo, menos lineares. Saturno e as árvores. Uma coisa a se pensar. Minha história favorita foi a de Isadora e Bárbara. Principalmente pela primeira, que desenvolveu-se e cresceu. Achei algumas falas interessantes e fiquei curiosa sobre duas personagens reais brasileiras: Luisa Valente e Maria Ortíz. Duas guerreiras brasileiras na época das capitanias. Vale uma pesquisa mais profunda. Mas, não. Não gostei tanto da leitura. Acho que já sei o motivo: Talvez o meu regente não seja Saturno.
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