Mario Vargas Llosa, o romancista tantas vezes premiado, estréia em teatro com a peça A SENHORITA DE TÁCNA. Trouxe para a dramaturgia seus "demônios", isto é, sua experiência vital, sua identificação com a classe média e sua simpatia para com os oprimidos. No microcosmo em que se enfrentam, e movem os personagens, Mario Vargas Llosa retrata um segmanto urbano que, nem por isso, se abstrai dos grandes problemas do Peru: o nacionalismo, a estratificação e rigidez das classes, os grandes abismos sociais, a industrialização e o problema agrário, os tabus e a hipocrisia, os problemas do índio e do negro. Com isto, cria enfoques múltiplos e reveladores, sem mensagem demasiado explícita, mas sem dar as costas à sua responsabilidade social. Fica reservado ao leitor/espectador a decisão, após viver a obra como uma experiência a mais. Mostra-nos ainda o sistema que aliena, obrigando a determinadas condutas e condicionamentos, a mediocridade dos diversos personagens agarrados pela armadilha vital, seres insatisfeitos, anti-heróis sem grandeza, cujas virtudes e defeitos se confundem e entrelaçam. O bem e o mal resultam em dois lados da mesma impotência. Sobressaem Mamaé, a senhorita de Tácna, revolucionária a seu modo, que desiste de ver no casamento a "salvação", e o escritor Belisário, que se dispõe a escrever a peça a que assistiremos, em que fala de sonhos, angústias e fracassos existenciais de uma época e um Continente.


