Peter Bichsel é um aclamado escritor e jornalista suíço-alemão laureado com diversos prêmios por seus livros intrigantes e de formas distintas. Ele brinca com as palavras e as frases de maneira divertida e quase matemática, já que se desenvolvem complexos jogos de significados como numa rede em que o leitor precisa ficar atento para captar todo o esquema criado pelo autor. O homem que não queria saber de mais nada e outras histórias foi publicado originalmente na Alemanha, em 1969, e recebeu o Prêmio Johann Peter Hebel, o mais importante do país no segmento infanto-juvenil. O livro traz sete histórias bastante imaginativas e com boa dose de fantasia: “A Terra é redonda” fala sobre um velhinho que planeja dar a volta ao mundo andando em linha reta; em “Uma mesa é uma mesa”, um homem entediado pela rotina decide renomear todos os objetos à sua volta; “A América não existe” reconta a história do descobrimento da América de maneira bastante curiosa; em “O inventor”, conhecemos um homem que dedica a sua vida a inventar coisas, mas que, de tão recluso, acaba inventando coisas que já existem; "O homem que tinha memória” narra a história de um homem apaixonado por trens, que sabia tudo sobre eles, e decide mudar de foco para saber o que ninguém mais sabe; “Tio Iodok manda lembranças” traz a visão de uma criança sobre seu avô que inventa uma nova língua a partir do nome de um parente distante; e, por último, há o conto que dá título ao livro, “O homem que não queria saber mais nada”, sobre um homem que desiste de aprender coisas novas e descobre que talvez isso seja uma tarefa impossível. Um livro muito bem escrito, com ótimas ideias, especial e encantador para “crianças” de 10 a 80 anos.