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    Manifesto Aberto a Estupidez Humana -

    Ezio Flavio Bazzo

    LGE Editora
    2008
    146 páginas
    4h 52m
    ISBN-13: 9788572383363
    Português Brasileiro
    4.3
    9 avaliações
    Leram14Lendo2Querem11Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados11Avaliaram9

    Manifesto aberto à estupidez humana é um livro extremado. Tem a radicalidade da lucidez e da loucura e a contundência das obras que desafiam a expectativa de quem lê com um discurso inesperado e um cenário desconcer-tante. O uso provocativo da segunda pessoa, no inventário de atos, sentimentos, posições exem-plarmente estúpidas, estabelece relação intensa e pessoal entre quem fala e quem lê. Com grande poder persuasivo, o discurso pode levar o leitor da estupefação à adesão. Convém estar atento a isso. É uma das armadilhas do texto. Se, em suas linhas, você passar a identificar a estupidez de colegas, vizinhos, parentes, amantes, cuidado! Pois desse modo estará negando ao texto sua principal qualidade: o de ser uma superfície refletora. Quando a imagem de tantos conhe-cidos emergirem dessas páginas, não se iluda e não se prive de participar da aventura de Narciso às avessas que o texto propicia. Este livro fala também de você e da vida que está lhe escapando. Outra cilada se arma, se tentar descobrir quem fala. Não se trata de um censor nem de um mestre moralista. O livro foi composto por um discurso que a cultura - a despeito das religiões organizadas e das famílias, dos saberes e das autoridades constituídas - não conseguiu sufocar. Em plena época dos relativismos que tudo legitimam, Ezio Flavio Bazzo expõe um modo insolente e apaixonado de pensar, movido pelo questionamento dos valores. Evocando fragmentos das obras de Nietzsche, Cioran, Tzara, Malatesta, Marinetti e, também, de Tolstoi, Ibsen, Dostoievski, Thoreau, Cocteau e Canetti, uma voz, com arrebatamento e firmeza, deboche e emoção, elegância e desleixo, raiva e ternura, faz uma advertência contra as falácias que perseguimos e a inten-sidade que não conseguimos viver.

    Resenhas (1)Ver mais
    Vicente Junqueira Moragas picture
    Vicente Junqueira Moragas09/12/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O discurso do Überman para o Homem

    O livro é ácido, faz refletir os diversos comportamentos que percebemos em outros por projeções, percebemos em nós mesmos por identificações e lutamos para alterar, além de ser irônico e cítrico. Direto ao ponto, o autor ataca todas as instituições padronizadas no mundo atual, usando a filosofia e a construção do conhecimento como munição e a certeza de que, a grande maioria dos leitores sofrerão de revoltas estomacais, frios na espinha, raiva contra a pseudo-prepotência do autor, sem enxergar que para ver todos esses comportamentos, o próprio autor teve que ultraja-los dentro de si mesmo, e conhecê-los um por um. Se coubesse a mim dar um subtítulo a este livro, este o seria: "O discurso do Überman para o homem" Apesar de achar, agora nos capítulos finais, que o autor começa a ficar massante e repetitivo, se é que é possível, mas não perde o seu tom visceral que faz o livro parecer ter sido escrito em uma única sentada, em processo quase catártico. Por fim, transcrevo o apontamento com o qual mais me identifiquei: "Quando preferirás uma criança rebelde, crítica, criativa e autônoma em lugar dessas pobres criaturas domesticadas pelo chicote e pela ritalina, massificadas e servis que povoam tuas escolas?" Enquanto Psicólogo, este questionamento tem me tirado o sono, percebendo que a ritalina aplicada cada dia mais às crianças com diagnosticadas como "DDA" são manejos para conter uma das principais contradições da sociedade atual. Cada vez mais se apela pro aumento do consumo da informação, bombardeia-se com necessidades de absorção de informação por um lado e por outro tenta-se manter o status quo do ensino criado por mentes inertes do século retrasado. Leitura mais que recomendada.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 9
    • 5 estrelas44%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Ezio Flavio Bazzo profile picture

    Ezio Flavio Bazzo

    Neto de comerciantes italianos, nasceu no Estado de Santa Catarina, em 08-12-1949 e mudou-se ainda criança para o Estado do Paraná. Iniciou os estudos em sociologia na cidade de Londrina (PR) transferindo-se em seguida para o curso de psicologia. Cursou mestrado em psicologia clínica na Universidade Nacional Autonoma do México e doutorado na Universidade Nacional de Barcelona, com uma tese sobre Wilhelm Reich. Mais tarde dedicou-se a um pós doutoramento no Instituto de Altos Estudos da América Latina, em Paris. Apesar dessa longa permanência no meio acadêmico, Bazzo considera o estudo formal uma grande fraude, um adestramento desnecessário e inútil que vai deixar limitações e cicatrizes profundas na capacidade de pensar dos estudantes e dos futuros "doutores". Bazzo faz questão de ressalta

    25 Livros
    13 Seguidores
    Santa Catarina, Brasil

    Ezio Flavio Bazzo