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    Da Religiosidade: A literatura e o senso de realidade - Coleção Ensaios Transversais (Volume 17)

    Vilém Flusser

    escrituras
    2002
    175 páginas
    5h 50m
    ISBN-10: 8575310607
    Português Brasileiro
    3.9
    7 avaliações
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    A crise na ideia de transcendência conduz à busca de um novo senso de realidade, a uma nova religiosidade. Real é aquilo no qual acreditamos. A literatura é o lugar onde tais temas naturalmente se entrelaçam. Real é aquilo em que acreditamos. Em torno dessas ideias se desenvolvem os ensaios da presente obra, Da religiosidade: a literatura e o senso de realidade, volume 17 da coleção Ensaios Transversais (selo Escrituras).Os 17 ensaios que compõem o presente volume foram publicados em diversas revistas e no Suplemento Literário do jornal O Estado de S.Paulo. A escolha dos ensaios obedeceu a um critério parcialmente temático: a literatura, seja ela filosófica ou não, é o lugar no qual se articula esse senso de realidade que, sob certos aspectos, se apresenta como sinônimo de "religiosidade". Procura, portanto, mostrar como a tendência ocidental em direção de uma nova religiosidade se manifesta produtivamente na cultura brasileira. É neste sentido que pode ser tomada como um esforço em prol da elaboração de uma filosofia da literatura brasileira.

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    Peterson Silva30/08/2014Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    Terrível

    Comecei o livro empolgado, achando que ele ia tratar da religiosidade a partir de uma perspectiva da teoria literária, gerando um novo tipo de abordagem sobre a experiência religiosa. Achei que ia ser muito legal e enriquecedor; no começo, por exemplo, ele começa postulando que real é aquilo em que se acredita - é o tipo de coisa que não diz nada, mas diz o suficiente, porque não se quis ali empreender uma investigação filosófica sobre a natureza do Real com R maiúsculo, e sim fazer a breve observação de que para todos os efeitos sociais a crença, a experiência da linguagem, etc molda o sentido do real. Até faz uma crítica ao marxismo, afirmando como é impossível analisar o sentido da religiosidade a partir de suas manifestações institucionais. Discordo em parte, mas acho que tirar isso de foco abre (abriria) caminho para uma análise rica, então achei bom! Contudo, nas próximas páginas encontrei decepção atrás de decepção. "Chamarei de religiosidade nossa capacidade para captar a dimensão sacra do mundo", dimensão essa que ele não define nem justifica, apenas _pressupõe_ - e ainda pretende analisar a capacidade de "captá-la"? Que se quer dizer com isso? Uma coisa é afirmar que a nossa cosmologia engendra uma dimensão sacra à nossa vida, e verificar como podemos chamar de religiosidade nossa interação com essa dimensão. Outra coisa muito diversa é vir dizer depois que existem pessoas "religiosamente surdas", que vivem "em mundos rasos e chatos (porque em tese inteiramente explicáveis)". Rasa e risível é essa visão. Diz, por exemplo, que a dimensão "sacra" da vida é "o significado que o mundo e nossa vida dentro dele têm". É sério mesmo, isso? Isso é monopólio do sentir e pensar religioso? Suas discussões sobre "inautenticidade" são igualmente toscas e opacas. Fala besteiras vergonhosas sobre coisas que, aparentemente (pra falar umas coisas dessas) não conhece ("já que os elementos da matéria se revelam como sendo mais símbolos de pensamento que outra coisa (nêutrons, mésons etc) [...] há algo de errado na física como método do conhecimento" - Hã?!), parece desconhecer completamente a existência de coisas como processos históricos de transformação (uma vez dentro da dicotomia descartiana, impossível se livrar dela!) e ainda diz que as culturas primitivas são pré-lógicas. Diz que vivemos necessariamente a negar a morte pois se a aceitássemos teríamos que só esperar ela acontecer, afinal de contas não faz diferença morrer hoje, amanhã ou depois - mas por acaso a negação é a relação que estabelece também com a fome, a escovação de dentes, a higiene dos banhos ou o lavar de louças? Aliás, como explicar que só o religioso possui a dimensão do sacro no sentido de um significado que nossa vida tem dentro do mundo se, para muitos e muitos ateus e agnósticos dentro de um escopo filosófico, esse valor é precisamente sentido como nossa contribuição para a felicidade e o bem-estar alheio? --- Enfim, um livro fajuta que faz repensar o momento da apresentação, em que Mario Ramiro diz que ele "afrontava" certos poderes estabelecidos ao terminar livros e ensaios sem notas de rodapé. Acho que ele simplesmente não teria muito que colocar nelas.

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    Vilém Flusser

    Vilém Flusser nasceu em Praga, em 1920. É considerado um dos mais importantes pensadores da tecnologia e da comunicação do século XX, com obras traduzidas para diversos idiomas. Filho de uma família de intelectuais judeus, desde cedo foi incentivado aos estudos pelo pai, professor de matemática e física. Cursou filosofia na Universidade de Carolina (República Tcheca) e depois na London School of Economics and Political Science, mas os problemas decorrentes da guerra o impediram de os concluir. Na década de 1940, a irmã, os pais e os avós são mortos em um campo de concentração nazista. Em 1940, emigra para o Brasil, país onde vive por 32 anos e em cuja língua produz algumas de suas mais importantes obras. Entre as décadas de 1960 e 1970 trabalha como jornalista, sobretudo para O Estado de S. Paulo. Colabora com a Revista Brasileira de Filosofia, ministra cursos e palestras no Instituto Brasileiro de Filosofia e, a convite de Milton Vargas, atua como professor de filosofia da ciência na Escola Politécnica da USP e de teoria da comunicação na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP). Flusser faleceu em 1991, em um acidente automobilístico em Praga.

    36 Livros
    42 Seguidores

    Vilém Flusser