A cada dia que passa, mais me convenço da existência de uma safra de ótimos autores nacionais que, infelizmente, não são ainda conhecidos pelo grande público. Nessa leva de escritores talentosos, não posso deixar de incluir Douglas Marques, autor de Cartas de Siracusa, um livro que eu ainda não conhecia, mas que despertou o meu interesse em ler os outros títulos do autor.
Antes de mais nada, Douglas dá início à obra com uma frase de Max Frich: "A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela". A frase, aliada ao prólogo, dão o tom da trama, uma narrativa instigante, que prende o leitor do início ao fim. Li o livro todo em um dia. Não dava para não saber o final. Cada fechamento de capítulo deixa um gostinho de "quero mais", e é impossível parar de ler sem saber o que acontecerá em seguida.
Em linhas gerais, e para não caracterizar spoiler, posso dizer que o livro tem início com o assassinato do papa e a invasão por um cracker da rede mundial de computadores, com a apresentação de uma carta chocante e reveladora. É aí que entra Rachel Atkins, a protagonista, responsável pelo projeto ECHELON, da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), responsável pela proteção do país em todas as frentes. Inicia-se então uma perseguição implacável ao Il Mittente, como se intitula o suposto terrorista, que pretende revelar ao mundo o maior segredo até então guardado, ou seja, a Verdade.
O livro é muito intenso, e daria um ótimo enredo para um filme. Os personagens são bem construídos, e, para mim, ganharam forma rapidamente. O autor escreve muito bem. Os diálogos são ágeis, as descrições são bem feitas, e as cenas geralmente terminam com alguma frase de impacto, que convida o leitor a prosseguir no suspense. Sem dúvida, Douglas tem muita habilidade para conduzir a trama, e isso me impressionou. Achei seu estilo bem parecido com o do Dan Brown e me arrisco a dizer que o autor bebeu dessa fonte. Enfim, para os fãs de Dan Brown, essa é uma leitura imperdível, com um final surpreendente. Aliás, até agora, me pego pensando no final...
Recomendadíssimo! Parabéns, Douglas, seu livro é muito bom!