Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições0
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores71
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    A Seca de 1915 -

    Rodolfo Teófilo

    IMPRENSA UNIVERSITÁRIA - UFC
    1980
    135 páginas
    4h 30m
    ISBN-2: 00
    Português Brasileiro
    3.7
    3 avaliações
    Leram9Lendo5Querem57Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados57Avaliaram3
    Resenhas (1)Ver mais
    Paulo Silas  picture
    Paulo Silas 29/12/2010Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Rodolfo Teófilo demonstra neste livro todo o seu descontentamento para com os governantes do Ceará dos primeiros tempos da república: “A politicagem nos fez muito mal...” Pág. 33 É como uma suplicante voz que por muito ter visto a desgraça clama sem se deter. Penso então que esta dever ser a marca principal o livro a “Seca de 1915”: relembrar os nefastos fatos de outrora a fim de que “os coevos não os pratique e os pósteros os conheçam.” Pág. 34 E quão nefandos foram os fatos ocorridos durantes aquelas secas avassaladoras. Eram tão escabrosos, tristes e repugnantes que muitos, principalmente na época do escritor, passaram a achar que tudo não se passava de uma história mal contada. Até mesmo o consagrado escrito José de Alencar cometeu, segundo Rodolfo Teófilo, um erro para com o Ceará: “ [...] um de nossos representantes, José de Alencar, com o grande prestígio do seu nome, afirmava à Nação que havia exagero nas notícias transmitidas pelo Governo do Ceará sobre a seca [...]. Esta afirmação, proferida por tão eminente brasileiro, nos fez muito mal.” Pág. 32 O pior é que os governantes da República acreditaram que houve excessos nos relatos... Indignado com a descrença daqueles governantes que tão bem conheciam a Europa, mas que nunca puseram os pés no Ceará, Rodolfo Teófilo joga toda sua raiva ao mostrar os extremos mais virulentos da seca: “O que diria se visse um pai no delírio famélico matar o filho para comer; uma desgraçada mãe, só ossos e pelangas, morta e resupina no meio da estrada, no seio uma criançinha esquelética procurando sugar gotas de leite do cadáver; um retirante animalizado, metido numa gruta, alimentando-se da carniça humana que encontrava nos caminhos; uma criança encontrada à beira do caminho, fechada na camarinha, caída de fome e chupada de morcegos, que lhe cobriam o corpo um lençol negro; um desgraçado retirante estirado na estrada, no marasmo da fome, sem forças para mover um músculo, cercado de urubus vorazes e famintos, que não esperam a morte da vítima, mas a apressam, vasando-lhe os olhos com o bico adunco, como um espinho a enterrar-se-lhe na pupila dilatada e negra (a luz apaga-se, e o banquete dos corvos começa); Joaquim Punaré, um negro hediondo, feroz como uma hiena, em Canindé, no delírio da fome, comendo uma criança com mel de abelha?!” Pág. 62 Também me admira em Rodolfo Teófilo suas ideias nacionalistas e um pouco anti-europeias. Isto se mostra quando ele comenta a 1ª Guerra Mundial: “A esta calamidade, para acabar de esboçar a mortecor do quadro da seca, segui-se a guerra da Europa. Não era o jagunço do Padre Cícero, broco e matador, de trabuco ao ombro e facho na mão, assassinando e incendiando, que vinha retrogradar muitos séculos a civilização, mas o homem culto da Europa. Esta guerra foi uma desilusão para os que acreditam que a cultura do espírito destrói no homem os seus maus instintos. Para mim, a besta humana é a mesma das primeiras idades da terra, quando andava nua e era antropófaga. Ela matava o seu semelhante para comer e hoje mata só para destruir. As atrocidades cometidas pelos povos mais cultos do mundo deixam o espírito de quem medita sobre elas em um mortificante desconforto. Para que abrir escolas, cultivar a inteligência humana, se o cultivo intelectual do homem o aproveita, não para o bem, mas como um fator poderoso do mau? Comparem-se os crimes do passado com os do presente. O homem moderno mata com mais arte, rouba com mais astúcia e corrompe com maior elegância.” Pág. 46 Enfim! O que dizer deste livro? Digo, que mesmo macabro, é um relato para não ser esquecido!

    curtir

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 3
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas67%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Rodolfo Marcos Teófilo  profile picture

    Rodolfo Marcos Teófilo

    Pobre e órfão, foi educado pelo Barão de Aratanha que o matriculou no Ateneu Cearense, contudo, deixou os estudos para ser caixeiro-viajante. Formado farmacêutico, em 1875, pela Faculdade de Medicina da Bahia, estabeleceu-se no Ceará, desenvolvendo logo o pendor para o cientificismo característico na sua obra. Diplomado, dirigiu uma farmácia em Pacatuba, depois na capital. Foi mais tarde professor de ciências naturais na Escola Normal e membro de diversas sociedades culturais. Sua obra ficou marcada pelo exagero em que é mostrada a seca no nordeste e os tipos flagelados caracterizados com excesso. Empreendeu, sem apoio governamental, uma campanha de vacinação contra a epidemia de varíola que se alastrava na cidade. Por causa disso, foi perseguido durante o governo de Antônio Pinto Nogueira Accioli, do qual era opositor, acusado de desmoralizar a autoridade que estava totalmente alheia ao sofrimento do povo cearense. Tomou parte dos movimentos literários do Ceará, tendo pertencido, desde 1894, à Padaria Espiritual, entidade de fins literários e artísticos que se fundara em Fortaleza, dois anos antes, com o nome de "padeiro" Marcos Serrano. Foi historiador e romancista. Foi membro fundador da Academia Cearense de Letras. É considerado um dos principais expoentes da literatura regional-naturalista do Brasil e um dos maiores nomes da literatura do Ceará. Em sua homenagem, o Centro Acadêmico de Farmácia da Universidade Federal do Ceará tem o seu nome. Inventou a cajuína, bebida não-alcoólica popular principalmente no Piauí.

    9 Livros
    8 Seguidores
    Bahia, Brasil

    Rodolfo Marcos Teófilo