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    The Diamond Age - Or, a Young Lady's Illustrated Primer

    Neal Stephenson

    Spectra
    2000
    499 páginas
    16h 38m
    ISBN-10: 0553380966
    4.2
    8 avaliações
    Leram19Lendo1Querem48Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados48Avaliaram8

    In Snow Crash, Neal Stephenson took science fiction to dazzling new levels. Now, in The Diamond Age, he delivers another stunning tale. Set in twenty-first century Shanghai, it is the story of what happens when a state-of-the-art interactive device falls into the hands of a street urchin named Nell. Her life-and the entire future of humanity-is about to be decoded and reprogrammed....

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    Resenhas (1)Ver mais
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa21/08/2015Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Falso brilhante

    Tanto quanto “Snow Crash” (também traduzido no Brasil como “Nevasca”), do mesmo autor, “Diamond Age”, ambientado no mesmo universo, mas várias décadas depois (final do século XXI) e do outro lado do Pacífico contém um repertório interessante de itens de especulação tecnológica nem sempre verossímeis, mas divertidos, infelizmente inseridos em uma trama , personagens estereotipados, ideologia mal digerida e um final tosco e abrupto. O conjunto é algo menos insatisfatório que o livro anterior na medida em que a trama, na maior parte do texto, parece menos forçada, mas frustra no final. Enquanto “Snow Crash” se deleitava em fantasias individualistas e anarcocapitalistas, mestiçagens culturais e pretensa rebeldia geek, “Diamond Age” esposa teses neoconservadoras e culturalistas. O mundo ainda está fragmentado, mas em entidades que deixam de ser quase que puramente empresariais para serem políticas e étnico-culturais. Chamadas “filos”, controlam a economia e a justiça. Os indivíduos que não pertencem a nenhuma delas, conhecidos como “tetas”, são pobres e marginalizados. Os filos mais poderosos e bem-sucedidos são os mais conservadores e repressivas. Boa parte do livro se dedica a explicar por que tem de ser assim e por que algumas culturas são melhores do que outras, principalmente as variantes mais elitistas e reacionárias da tradição anglo-saxônica. A “cultura superior” de “Diamond Age” é a neovitoriana, que se orgulha de imitar os títulos de nobreza, o elitismo, o conformismo, a segregação, a hipocrisia, a desigualdade e o mau gosto do vitorianismo original enquanto desenvolve uma avançadíssima nanotecnologia de ponta. O sintoma mais notável dessa virada é que Y.T., a petulante “bad girl” skatista de “Snow Crash”, sempre disposta a zombar de tudo e de todos, reaparece como Miss Matheson, a idosa (e cadeirante) diretora de uma severíssima escola para meninas à moda do século XIX. Impressiona como o autor se esforçou para conceber uma civilização sufocada em exploração, miséria e doença apesar de ter acesso potencialmente ilimitado a uma riqueza infinita e que ainda assim é apresentada como o melhor dos mundos possíveis. Existe uma nanotecnologia capaz de produzir qualquer objeto de consumo desejado (inclusive comida, roupa, etc.) em poucos minutos e meios de informação e comunicação que poderiam dar acesso instantâneo à cultura universal. Mas o uso desses equipamentos é controlado por patentes e direitos autorais de modo que apenas produtos da mais baixa qualidade podem ser gratuitamente obtidos pelos “tetas” e estes, apesar de não correrem o risco de passar fome, estão sujeitos a serem escravizados por dívidas ou terminarem seus dias em um asilo de tuberculosos. A protagonista é uma menina criada na pobreza à mercê dos amantes brutais de uma indiferente mãe teta até um livro “mágico” – o “primer” do subtítulo, literalmente “cartilha” – a encorajar a fugir de casa, sendo eventualmente adotada por um bondoso velho coronel e aceita numa comunidade decentemente conservadora e numa escola vitoriana. O clima evoca conscientemente o dos mais lacrimosos folhetins de Charles Dickens. Não por acaso ela se chama Nell, como uma das mais famosas de suas personagens infantis. Embora o livro se refira com certo apreço a outras culturas apresentadas como conservadoras à sua maneira, inclusive a japonesa, hindu, ashanti, bôer e cowboy, a maneira como são apresentadas as relações entre as comunidades deixa claro que todas invejam e procuram imitar os neovitorianos, foco principal da narrativa. Com uma exceção: a cultura chinesa confuciana, principal antagonista do imperialismo da Rainha Vitória II. A trama apresenta a velha China como um adversário pobre e inicialmente menosprezado, mas que acaba por se mostrar respeitável e perigoso graças ao rigor de sua tradição confucionista, apesar de tecnologicamente atrasado e recorrer a métodos brutais, para não dizer caricatamente cruéis. Os estereótipos racistas e orientalistas do século XIX não são apenas citados ironicamente, mas explorados com toda a seriedade. O “Império Celestial” é representado por um Doutor X que é a ressurreição do vilão Fu Manchu criado pelo inglês Sax Rohmer em 1913, encarnação do “perigo amarelo”. Os chineses do “Império” aparecem como torturadores, estupradores e xenófobos que odeiam os “bárbaros” do Ocidente e os enfrentam com os mesmos métodos dos boxers do século XIX. Já os chineses ocidentalizados da “República Costeira da China”, satélite dos neovitorianos e espécie de mega-Hong-Kong que serve de palco à maior parte da ação, são praticamente invisíveis, exceto para serem mencionados como corruptos, desleais e cínicos. Embora se esteja em Xangai e imediações, o ponto de vista dos nativos não aparece. Com exceção dos antagonistas “celestiais”, são brancos quase todos os personagens suficientemente relevantes para terem nome e voz. Lorde Alexander é a exceção que confirma a regra, pois se trata de um coreano adotado nos EUA como bebê que, criado como anglo-saxão, se tornou um grande acionista e aristocrata da sociedade neovitoriana. (A partir daqui, “spoilers” parciais) O “primer” ou “cartilha”, livro nanotecnológico interativo, foi inicialmente concebido como complemento à educação da neta de Lorde Alexander, preocupado em salvá-la da mediocridade e do excessivo conformismo de sua sociedade. O engenheiro ao qual o encomendou cria uma cópia secreta e ilegal com o objetivo de garantir à sua filha um futuro melhor que o de mera plebeia assalariada. A cópia acaba por escapar a seu controle e cair nas mãos de Nell, a menina pobre dickensiana e o Doutor X o obriga a produzir outras para centenas de milhares de meninas chinesas abandonadas por camponeses pobres. Boa parte do texto, a partir desse ponto (perto do meio da trama), se dedica a acompanhar a “leitura” do livro por Nell ao longo de sua infância e adolescência e são dos mais chatos e mal escritos do livro. Stephenson não tem nenhum talento como autor infanto-juvenil. Ao interminável conto de fadas sobre a “Princesa Nell” e sua contínua resolução de problemas e quebra-cabeças obsessivamente didáticos, falta o humor, a criatividade, a espontaneidade e a malícia de qualquer boa história para crianças, inclusive a vitoriana “Alice no País das Maravilhas”. É um jogo educativo longo e repetitivo, do qual qualquer criança normal logo se cansaria, mas o autor não tem a menor autocrítica e se estende por detalhes desnecessários e soporíferos que tornam mais difícil acreditar no seu suposto fascínio sobre a leitora. E chega o momento em que a história desanda e “pula o tubarão”. A expressão costuma ser usada para séries televisivas decadentes quando rompem sua própria lógica e apelam a artifícios inverossímeis ou incoerentes para manter o interesse dos espectadores, mas se aplica bem a este livro. O momento é quando Nell, ao chegar perto do fim da cartilha e de seu curso escolar, decide viver à sua maneira em vez de se integrar à comunidade neovitoriana. Ela deixa Source Victoria por Xangai e busca emprego como roteirista de cenas de bordel, nada menos, assessorando uma experiente madame sobre como tornar mais picantes as experiências vitorianamente masoquistas infligidas por suas garotas a seus clientes. Acontece que Nell não só é virgem, como estudou a vida toda numa escola feminina rigidamente vitoriana, não teve namorados e passou todo o seu tempo de lazer com o nariz enfiado na cartilha. Nós a vemos aprender leitura, língua culta, boas maneiras, defesa pessoal, estratégia, paciência, cultura geral e programação de computadores, mas teve pouca oportunidade de interagir com homens (salvo seu sóbrio e reservado tutor) e nenhuma de aprender sobre amor, erotismo ou sexo. Nem em teoria, quanto mais na prática. Como diabos ela se tornaria uma pornógrafa de primeira, ou sequer lhe ocorreria essa ideia? É o primeiro de uma série de equívocos que levam o livro a um desfecho decepcionante. Ainda mais sem pé nem cabeça é Nell, sem motivo, ser espontaneamente aceita e reverenciada, perto do final, como rainha das centenas de milhares de chinesinhas que estudaram a mesma cartilha “mágica” e supostamente aprenderam o mesmo que ela. Nesse momento, o conservadorismo deixa cair a máscara culturalista e se revela puro racismo.

    6 curtidas

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    4.2 / 8
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Neal Stephenson

    Neal Town Stephenson, 48 anos, nasceu em na cidade de Fort Meade. É colaborador da revista Wired, na qual escreve sobre tecnologia, e também é consultor da Blue Origin, empresa financiada por Jeff Bezos (fundador do site Amazon) que desenvolve um sistema de lançamento sub-orbital tripulado. Um dos autores de romance mais vendidos atualmente nos EUA, Stephenson ainda escreveu os seguintes títulos, inéditos no Brasil: The Big U, Zodiac, The Diamond Age, Cryptonomicon, Quicksilver, The Confusion, The System of the World e Anathem. Atualmente reside em Seattle com sua família.

    16 Livros
    29 Seguidores

    Neal Stephenson