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    Prometeu - Rascunhos -

    Jorge Silva Melo

    & etc.
    1997
    188 páginas
    6h 16m
    ISBN-13: 0144000126023
    Português Brasileiro
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    O teatro que me interessa não tem nada, nada, nada mesmo, nada a ver nem com a magia nem com as variedades. Penso num teatro que foi possível ser o próprio corpo do pensamento, a vivência concreta da Cidadania - da História e da Política. A subordinação do "teatro" ao "espectáculo" (cenográfico, comemorativo, histórico, mundano...) implica um abandono progressivo da meditação colectiva sobre A Cidade. Tem isso a ver com a abstrusa evolução do conceito de encenador - recentemente transformado em "empresário"/director geral, nome de marca ou de perfume... E eu não entendo um teatro sem escrita. Ora foi, precisamente, o "autor" quem foi sendo retirado do teatro. Também por isso, ao propor-me um trabalho sobre o "Prometeu", não quis ser como as máquinas de lavar que dão aos frescos as velhas cores. Não suporto o palco como paráfrase (dá-me sono); se já só podemos parafrasear, re-escrevamos. [...] Há aquele atelier do Courbet, uma modelo nua posando talvez ao centro de um quadro onde tudo cabe, até o Baudelaire lendo um livro ao canto inferior direito. E foi com essa ideia na cabeça, usando o palco como máquina expositiva, exposição dos temas e variações, máquina de ideias musicais e pictóricas, numa referência que sempre quis aos espaços vertiginosos de Tintoretto (fui revê-lo ao Prado, como eu me sinto bem com aquela balbúrdia) que ousamos aproximar-nos dos clássicos como estes mortos. Com a nossa vida e os nossos amores. Talvez assim, às apalpadelas do palco, talvez em juntando, a pouco e pouco, tantos dos nossos amigos, artistas, espectadores, seminaristas, talvez este projecto de apropriação dos clássicos, talvez este projecto em aberta transformação, que provavelmente nem aqui vai acabar, talvez isso possa realmente ser uma meditação. Sobre nós. Um teatro? Era, era isso o teatro. Talvez o que nos ficou depois do comunismo. Jorge Silva Melo Maio de 1997

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