Neste livro, o autor pretender refutar algumas declarações de Richard Dawkins em suas obras quando fala algo contra a religião, o "vírus da mente", segundo este último. Trata-se de um livro de duzentas páginas, superficial, entretanto, com muita retórica e pouca argumentação. No embate entre ciência, religião e questões afins, o autor precisava de mais, muito mais, para convencer o leitor.
Sobre a questão fundamental, por sua vez, se Deus existe ou não, Dawkins não precisa ser refutado em seu ateísmo, tendo em vista a (verdadeira) máxima do direito segundo a qual o ônus da prova incumbe a quem alega. O ateu não precisa provar que Deus não existe. O contrário sim, precisa ser provado. Diante, justamente, desta impossibilidade de prova, Deus, na verdade, trata-se de uma questão de fé.
Aliás, sobre o conceito de fé, aduz o autor, citando outrem (página 109) "(...) a fé afeta toda a natureza do homem. Começa com a convicção da mente com base na evidência adequada (?) continua na confiança do coração ou emoções com base na convicção e é coroada no consentimento da vontade, por meio do qual a convicção e a confiança são expressas em conduta". Isso seria o conceito de fé. Eis o exemplo típico acima mencionado de muita retórica e pouca argumentação.
Por fim, devo ressaltar que o livro não é de todo ruim. O autor explica bem alguns conceitos trazidos de forma menos didática por Dawkins. Este pressupõe, em diversos momentos, o contato prévio do leitor com as ciências em geral, o que não ocorre no caso do público extremamente leigo em ciências. Aprendi, finalmente, a título de exemplo, a diferença entre DNA, cromossomo e gene. No mais, interessante saber também outros conceitos mais sofisticados com o "fenótipo estendido", por exemplo. Enfim, não é uma leitura perdida, de todo. Entender o que é um "meme", também, em contraponto ao "gene", é bastante interessante.