
Escritor italiano, nascido em Luino, no Lago Maggiore. Piero Chiara é o poeta das pequenas histórias do "grande lago" que muitas vezes atua como palco para suas breves e esclarecedoras histórias. Narra a pequenez da vida provinciana com aquele estilo que nunca é insípido, sempre tingido de humor, ironia, às vezes de um humor sutil e melancólico, e sempre capaz de captar no cotidiano a essência esquecida da vida. Chiara pinta os traços da vida no alto da Lombardia e nos cantões suíços: uma vida na fronteira, composta de contrabandistas, bandidos e fugitivos, mas acima de tudo da pequena burguesia e dos personagens cotidianos. Em seus livros, não é apenas a descrição de lugares que é importante, mas também (e acima de tudo) a investigação psicológica dos personagens, a capacidade de destacar seus vícios e virtudes com um sorriso irônico, sem preconceitos, mas nunca desrespeitosamente. O segredo de Chiara está em sua capacidade de dizer, na escolha de temas também "escabrosos" (assassinato, adultério, obsessão erótica), sem jamais se render à complacência vulgar: Chiara descreve personagens e situações sem se tornar mórbido. Uma sensação de nostalgia emerge de suas páginas, mas também a consciência desencantada de que o retorno ao passado não é viável. A amargura do autor emerge sobretudo nas últimas obras, <i>Il cappotto di astrakan a Vedrò Singapore</i>, ao póstumo <i>Saluti notturni dal Passo della Cisa</i>, história provinciana desiludida inspirada em uma notícia. Chiara, além de ser um escritor de muito sucesso, foi um dos mais famosos estudiosos da vida e obra do escritor e aventureiro Giacomo Casanova. Ele publicou muitos artigos sobre o assunto que mais tarde compilou no livro <i>Il vero Casanova</i> (1977). Ele curou, para Mondadori, a primeira edição completa, baseada no manuscrito original, da obra autobiográfica de <i>Casanova: Histoire de ma vie</i>. Ele também escreveu o roteiro para a edição de TV (1980) do trabalho de Arthur Schnitzler, <i>The Return of Casanova</i>.