Neverness
http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/12/21/leituras-de-2008/ Zindell é um filósofo que resolveu escrever ficção científica ou um escritor de ficção que sofre de espasmos filosóficos. É autor da tetralogia Requiem for Homo Sapiens, que começou com Neverness, prossegue com The Broken God e The Wild, e termina com War In Heaven. Aiai, como explicar? Neverness é a única cidade de um planeta onde habita uma civilização humana a milhares de anos no futuro. Ali há uma ordem de pilotos-matemáticos desbravadores das dobras do espaço, que tentam solucionar alguns enigmas, por exemplo, por que inteligências do tamanho de galáxias (deuses, seres humanos que transcenderam à humanidade) estão morrendo e deixando seus cadáveres estelares no vazio? Por que estão explodindo tantas supernovas (inclusive, uma que irá incinerar Neverness dentro de uma década)? E como encontrar o segredo do universo – the elder Eddas –, que as escrituras dizem ter sido inscrito no mais antigo DNA humano? Entre as maravilhas tecnológicas, também há espaço para a ressurreição do mito do bom selvagem, quando Mallory Ringess, um jovem piloto, e sua família decidem ir buscar o segredo do antigo Eddas junto a uma tribo de homens selvagens, os Alaloi, que muito lembram os neandertais e que habitam as imensidões geladas distantes de Nerveness. Isso apenas no primeiro livro. O segundo começa com o filho “selvagem” de Mallory – Danlo – fazendo seu caminho à academia dos pilotos, onde se envolve numa amizade repleta de tensão e amor platônico com o jovem Hannuman, e só isso já dá pano para o romance inteiro, uma verdadeira novela (no sentido melodramático da palavra). Cada livro da tetralogia é um colosso de 600, 700, mil páginas ou mais. Tamanho para caber uma história muito audaciosa cheia de voltas e reviravoltas, e, por efeito colateral, muita embromação. Convenhamos que é impossível um livro atingir esse tamanho sem cair na repetição, sem ficar enfadonho por algumas dezenas de páginas. A prolixidade e a tautologia acabam sendo as maiores inimigas dos leitores de Zindell (talvez esse seja um dos motivos para lhe faltar um prêmio mais vistoso como um Hugo ou um Nebula), mas ele sabe recompensar bem o leitor persistente, e o saldo em sense of wonder é muito positivo.

