“Por covardia substituímos o nada pelo sentimento do nada. É que geralmente o nada nos deixa inquietos. Vemos nisso uma promessa, uma ausência, um impasse que se abre. Por muito tempo, estive obstinado em encontrar alguém que soubesse tudo sobre si mesmo e sobre os outros: um sábio-demônio, divinamente clarividente. Toda vez que acreditava ter encontrado alguém, acabava mudando de opinião. O eleito tinha alguma mancha, um ponto negro, não sei…. Um traço de inconsciência ou de fraqueza que o rebaixava ao nível do ser humano… Sentia neles traços de desejo ou esperança, ou algum resíduo parecido. Seu cinismo era manifestamente incompleto. Que decepção! ”

