Sociologia da Leitura -

    Monique Segré, Chantal Horellou-Lafarge

    Ateliê Editorial
    2010
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 8574805076
    Português Brasileiro

    A publicação deste trabalho procura lançar bases para que a discussão sobre a prática da leitura ganhe cada vez mais corpo no Brasil. A presente obra oferece uma perspectiva do tema, mais descritiva do que teórica, insistindo no fato de que a palavra escrita continua ocupando lugar central na sociedade contemporânea - que, por sua vez, se caracteriza, entretanto, pela onipresença da imagem e pelo mundo virtual.

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    Wesley Moreira de Andrade11/01/2017Resenhou um livro
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    O universo da leitura é amplo e cheio de idiossincrasias. Afinal o que leva uma pessoa a ler, quais fatores determinam a escolha de um livro? Sexo, classe social, grau de escolaridade exercem alguma influência? Quais gêneros leem os homens e as mulheres? Leitura se refere a apenas livros ou podemos incluir as revistas, jornais, HQ’s, a televisão? Como era o relacionamento do indivíduo com o livro em séculos anteriores, o que mudou desde então? As autoras Chantal Horellou-Lafarge e Monique Segré tentam responder a estas e outras perguntas no livro “Sociologia da Leitura” que faz um estudo dos hábitos leitores desde o advento do livro, quando não tinha o formato atual e era feito de outros materiais ou era encomendado aos monges que copiavam os clássicos latinos e gregos e a Bíblia, até os tempos mais recentes quando o livro tornou-se um objeto de consumo. Claro que as autoras fazem um panorama específico da realidade francesa, o estudo chega a apresentar dados estatísticos do perfil dos leitores desse país. Porém a realidade de um país com cada vez menos leitores assíduos, resultante da pouca escolaridade ou omissão dos governantes ou a concorrência de outras mídias (televisão, games, internet etc.) não foge muito ao que o Brasil vive desde muito tempo, guardado as devidas proporções. O livro foi sempre um privilégio das classes abastadas, por ser um artigo caro e até mesmo decorativo nas residências nobres e ricas. Já nas classes mais pobres, o acesso era limitado ou não existia, cenário que mudou um pouco com a presença de bibliotecas públicas, a parca educação que recebiam, onde tinham um primeiro contato com o texto escrito ou as esparsas campanhas de incentivo a leitura e alfabetização dos consecutivos governos. De uma leitura compartilhada em espaços públicos, herança da tradição oral, a um ato cada vez mais individualizado, o hábito de ler traz características, motivações e consequências particulares. Não se restringe apenas ao livro, porém o livro ainda carrega em si a aura de uma atividade culta, diferenciada das leituras que fazemos diariamente e o tempo todo. O ato de ler transforma aqueles que se dispõem (com o incentivo da família, pelo contato primário nas escolas, por uma necessidade de trabalho etc.) a embarcar em suas páginas, adquirindo um conhecimento e uma experiência que ninguém mais pode arrancar.

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