Erotismo e feitiçaria - O amor bruxo através dos tempos

    Jacques Finné

    Edições MM
    1972
    338 páginas
    11h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Em todos os tempos, a existência da feitiçaria foi associada a certas práticas eróticas, sem todavia interrogar-se sobre os profundos motivos dessa relação? Qual seria? Qual é o quantum de verdade que encerra? Pode ela ser explicada? Os fenômenos de possessão, de bruxaria, de fornicação com o diabo, tem sentido? O que deduzir dos numerosos processos de feitiçaria que se sucederam de século emséculo, desde a Idade Média até hoje? Esses pontos curiosos, ligados à história secreta de nosso mundo, o livro de Jacques Finné tenta desvendá-los com a maior insenção de ânimo.

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    Fábio Ribas Wanderley Dantas04/04/2020Resenhou um livro
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    Erotismo e feitiçaria

    Jacques Finné é mais conhecido por suas extensas pesquisas na área da literatura fantástica com longa lista de obras publicadas. “Erotismo e feitiçaria” foi publicado pela primeira vez em 1972. O autor faz um apanhado desde os primeiros casos de bruxaria até os mais notórios bruxos do século XX. A obra é repleta de informações interessantes e descreve casos famosos da Inquisição, suas repercussões e avalia os excessos e as mitificações ocorridas em torno desses casos. Logo no início, o autor faz uma separação entre “religião” e “para-religião”, analisando as sociedades secretas sobrenaturais, esotéricas, místicas e misteriosas (máfia, Ku Klux Klan, maçonaria, etc). O livro parte da seguinte tese: “Todas as sociedades secretas com tendência sobrenatural comportam uma certa parte de erotismo em suas manifestações. Raríssimas são as exceções” (p.9). Achei muito interessante o autor declarar que evitou tratar no livro do simbolismo sexual. “Desconfio dos símbolos”, diz ele. O que, particularmente, achei um ganho para o leitor, não só porque concordo (interpretação de símbolos é só para quem faz escola), mas também porque tornou a obra menos hermética. Outro aspecto positivo do livro foi a defesa de que o Gnosticismo (e não o Cristianismo) é o responsável por originar o amor idealizado que exilava a mulher sensual e por ter criado a adoração mariana; por outro lado, esse mesmo Gnosticismo originou também a licenciosidade da carne. Mestres gnósticos como Carpocrates pregavam a comunhão de bens materiais, comunhão de mulheres inclusive, e recomendaram a prostituição. Finné avança na história tratando das sociedades secretas dos bogomilos, catharos (também conhecidos por albigenses), estes eram favoráveis ao suicídio e recusavam certos alimentos por razões de estarem ligados ao sexo (leite, ovos, queijo) e carne, esta por razões reencarnacionistas. Ao falar da feitiçaria propriamente dita, Finné a liga à floresta, que gera no homem medieval a angústia, miséria, isolamento e solidão. Finné ainda destaca que a feitiçaria sempre esteve presente no mundo medieval cristão, como “as brasas por debaixo das cinzas”. A feitiçaria teria sido apenas aceita novamente, talvez como revolta contra Deus e a Igreja (paganismo X cristianismo). “A feitiçaria é um luxo dos tempos modernos. Durante os primeiros séculos da época medieval, a igreja atacava as seitas gnósticas, particularmente os maniqueus, porém nem admitia a existência da bruxaria”, diz Finné. Enfim, vi no livro uma contribuição para entendermos o histórico de um paganismo que sempre esteve em intensa relação, ora de oposição, ora de sincretismo, com o cristianismo que nunca, de fato, o suplantou. Embora a obra seja resultado de pesquisa acadêmica e contenha verdadeiros escândalos sexuais e eclesiásticos cometidos na história, é leitura indicada a todos os que têm se dedicado a compreender o advento do moderno paganismo e sua cosmovisão animista, que têm se levantado, mais uma vez, em oposição ao cristianismo.

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