Fábio captura Neide com o olho de sua lente. Sua vida nunca mais será a mesma. Uma situação comum a ele e inusitada para ela – um trombar de vidas que inicia mudanças. A negra pobre e o branco rico que têm o limite de suas vidas sutilmente entrelaçado. Laura, a narradora-escritora, se descobre terrivelmente atormentada por Rachel, escritora-morta, cuja missão de narrar a vida de um casal comum ficara incompleta. Em tormentas de alergia, a história de Fábio e Neide vai sendo cosida em lágrimas; o passado ora volta, ora atrasa, o futuro se desanuvia em cólicas e o presente se mantém como pegada fresca a ser vislumbrada no porvir. Tudo isso embalado pelo revolver dorido de segredos pisados e pela música do Chico – de todas as épocas. O desejo da história em ser contada e o desespero das personagens em serem criadas transforma a cova de suas almas tão latejante que se transfere para o âmago de suas criadoras. Porque desejo, quando de alma, é irreprimível. (Este livro está fora de circulação. A autora têm pretensões de relançá-lo).


