Num esplêndido edificio de aço e vidro - sucursal parisiense de uma grande empresa multinacional com sede nos estados unidos - o homem e o computador se enfrentam. O primeiro tem o previlégio da insesibilidade; o segundo é marcado pela discriminação das hierarquias e pela necessidade de prevalecer...
O Imprecador (Grandes Sucessos) -
René-Victor Pilhes
Premonição?
Ter relido O Imprecador foi uma experiência ótima como ter revisto um ótimo filme já visto. O livro fala de uma conspiração contra uma corporação multinacional dos Estados Unidos instalada na França. O autor combina um enredo muito bom com discursos algo longos, mas não muito difíceis, que fazem, entre outras coisas, uma forte crítica às grandes corporações multinacionais. Num prédio com mil e cem funcionários, distribuídos em onze andares, inclusive em seu subsolo escuro e lamacento, desdobra-se a maior parte dos acontecimentos de O Imprecador. Na pessoa do Diretor Adjunto de RH da empresa, protagonista deste enredo, são narrados os acontecimentos e as suas impressões, sempre no passado. O seu nome somente será citado bem no final do livro. Através de quatro textos, ou imprecações, distribuídas a todos os funcionários da empresa, a verdade incômoda sobre o santificado processo de produzir, embalar e distribuir vai sendo colocada à luz. Aliando-se a esses textos, a vida na empresa complica-se com a morte recente de um funcionário, Arangrude, vítima de um acidente, no Boulevard Périphérique, com o aparecimento de rachaduras no embasamento do prédio e, mais estranhamente ainda, com alguém que se faz passar pelo diretor geral Henry Saint-Rame, imitando sua voz em mensagens telefônicas, espalhando confusão na empresa. Todos tratam de ir à luta e ir ao encalço do autor das tais imprecações, o que gera páginas de grande movimentação nos escuros subterrâneos da empresa. Tudo isto para no final descobrir-se que o protagonista estava há mais de uma semana em coma, sonhando no leito de um hospital, se recuperando de uma queda no subterrâneo da empresa - estranho, não? Mas e se esse sonho tiver sido uma premonição? Arangrude morre - novamente - na última linha do livro, no Boulevard Périphérique... Leiam e tirem suas próprias conclusões. Trechos do livro: "...em vez de o dinheiro ser um meio de produzir e de construir, são a produção e a construção que se tormam um meio de fabricar o dinheiro." página 183 "...uma crise bem mais grave que a escassez de petróleo ou a alta das matérias-primas: a crise de cérebros, a era da morte no seio das gigantescas empresas americanas e multinacionais, por conseguinte a era da morte nas sociedades pós-industriais, mal assentadas sobre suas fundações e ressumantes de riquezas roubadas." página 206. Um trecho que ilustra a ironia mordaz do autor é a prece do diretor de RH na página 175. O diálogo do protagonista com o presidente da empresa, na página 208, mostra o perfil inquestionavelmente sociopata do magnata, cujo objetivo está além do financeiro. O prazer está em manipular o ser humano, manipular vidas. P.S.: Acredito que O Imprecador poderia dar um ótimo filme, mas de preferência feito pelos franceses.
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