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    O Palhaço e sua filha -

    Halide Edip Adivar

    Editora Planeta
    2011
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9788576656289
    Português Brasileiro
    3.9
    80 avaliações
    Leram123Lendo12Querem162Relendo0Abandonos6Resenhas9
    Favoritos9Desejados162Avaliaram80

    Em Istambul, poucos recitam o Corão melhor que a pequena Rabia Abla. Suas apresentações são tão encantadoras que o ministro da Segurança Pública decide cuidar de sua educação musical. A menina, que até então tivera uma dura instrução religiosa de sua mãe e de seu avô conservador, tem a oportunidade de conhecer um olhar novo e excitante do mundo. É no palácio do paxá Selim que Rabia encontra a música, a dança secular e a sabedoria do sufismo. Não demora muito até que ela se apaixone e se identifique com tudo isso; afinal, mesmo sem ter conhecido seu pai, todos sabem que Rabia certamente herdara o espírito alegre e descontraído desse artista adorado por suas imitações e por seu teatro de sombras.

    Resenhas (9)Ver mais
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI picture
    DIRCE PIRES DO NASCIMENTO NANNI05/08/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Me vi obrigada, por minha conta e risco, utilizar sinais de pontuação.

    Quando, li “ Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres” ( Clarice Lispector), não me passou despercebido que o romance se inicia e termina de forma bem peculiar e inusitada – com sinais de pontuação: virgula no inicio “, estando tão ocupada,(...)” , e dois pontos no final do romance – “Eu penso, interrompeu o homem e sua voz estava lenta e abafada porque ele estava sofrendo de vida e de amor, eu penso o seguinte:” Acredito que Clarice, ao se utilizar desses dois sinais de pontuação, quis dar a entender que a “vida” de Lori tinha um passado, e que, juntos, Lori e Ulisses, teriam um futuro. Mas, o que tem a ver tudo isso, com o romance, da escritora turca Halide Edip Adiva “O palhaço e sua filha”? Bem, é que eu, ousadamente, me vi , mentalmente, colocando no início da primeira frase desse romance, uma virgula, e, no final , também fiz uso de um sinal de pontuação, só que, não foram os dois pontos utilizados por Clarice – fiz uso do ponto de exclamação. A constatação de que a menina Rabia- protagonista do romance- foi vítima de um passado histórico, foi o que me motivou tamanha ousadia. Sim, porque a menina Rabia, neta de um imã turco, teve sua infância roubada em decorrência de uma herança religiosa fundamentalista. A esse avô fanático coube a educação de Rabia, visto que logo após a separação, o pai de Rabia (Tevfik ) - um artista mal visto-, foi exilado, e, sua mãe(Emine), volta a viver na casa paterna. Aos olhos do imã, qualquer fonte de prazer, era uma ponte para o inferno, e, sob esse olhar míope, Rabia se torna uma recitadora do Corão. O sucesso como recitadora , leva Rabia até o palácio do sultão, onde ela se depara com a riqueza, com outras culturas, com outros costumes e modo de pensar. Gostei do livro, antes mesmo da leitura, pois pela sinopse, foi me dado saber que a mítica Istambul serviu como cenário para o romance, entretanto, do que gostei mesmo foi “conhecer” Halide Edip Adiva que, sem dúvida, além de grande escritora foi uma MULHER admirável. Esse “conhecimento” foi possível graças à leitura do romance e das informações contidas no livro sobre a vida e as obras de Halide Edip Adiva. Essa mulher que, na vida real, advogava a sua religião - o Islamismo – , não se furta de defendê-la também no seu romance, contudo, reconhece e denuncia, por meio dos protagonistas do “O palhaço e sua filha”, o quanto o fundamentalismo é danoso para a mente de qualquer ser humano independente da fé que ele professa. Claro que o livro não aborda apenas a religião, aborda também aspectos relevantes ,como a insatisfação da população turca em relação a sua condição social que destoava do luxo que reinava no palácio do sultão no final do século XIX e início do século XX, e da força de uma menina ( Rabia) que à despeito de sua infância roubada, da ausência do pai, da tirânia de sua mãe, não se deixou dobrar e conseguiu quebrar as barreiras da diferença cultural, social e religiosa, quando conheceu o amor. Não. Não me esqueci do ponto de exclamação. Por acaso não é ele que, usamos quando algo nos espanta? E não é espantoso constatar que, em pleno século XXI ( o futuro associado ao romance da Clarice) que, embora a mulher turca tenha conquistado seu patamar na liberdade, a maioria das mulheres mulçumanas continua a mercê de uma tradição desumana, e, infelizmente, ao contrário do destino de Rabia, o destino dessas mulheres está longe de um final feliz. É... pelo que parece o futuro da maioria das mulheres mulçumanas se conjuga no tempo passado. Esse livro só não leva 5 estrelas porque o título me deu uma sensação de incompletude. Eu o considerei um tanto quanto improprio. “ As bonecas são tentativas idólatras de fazer imagens, elas são abominação aos olhos de DEUS!” pregava o imã ( pag. 33) (...) o que se seguiu a isso foi ainda mais terrível. O imã a levou para o quarto dele e, exibiu- lhe um bastão, uma relíquia dos dias em que era professor numa escola, e com ele bateu na menina com uma seriedade oficial. Embora seu corpinho já estivesse roxo e seu rosto inchado de tanto chorar, ela a obrigou a ajoelhar-se e repetir orações de arrependimento em árabe até sua garganta doer(pag. 34) (...) aos nove anos, ela já tinha sulcos profundos entre as sobrancelhas e rugas de dor nos cantos da boca cor-de-rosa (pag.35) (...)” Mas o que acontece se alguém casar com um cristão apesar da lei?” , insistiu a garota, franzindo a testa. “Suponho que as pessoas que moram na rua dessa mulher iriam apedrejar a ela e seu amante cristão até a morte. É uma das leis que não podem ser infringidas, Rabia”. (pag.147)

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    3.9 / 80
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas3%
    • 1 estrelas1%
    Halide Edip Adivar profile picture

    Halide Edip Adivar

    Halide Edip Adivar nasceu e morreu em Istambul, filha de uma família aristocrática que lhe permitiu uma educação privilegiada. Aprendeu árabe, inglês e francês, além de ter tido aulas com renomados professores, inclusive de música. Foi também a primeira mulher muçulmana a se graduar no American College de Istambul. Formação que lhe possibilitou um grande conhecimento da cultura turca, sem deixar de respeitar as diferentes crenças. Traduzidas para um grande número de línguas, suas obras descrevem marcantes personagens femininas: fortes e independentes, que conseguem manifestar sua individualidade, apesar da resistência dura de uma sociedade hostil e conservadora

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    Halide Edip Adivar