O livro narra a luta de Jordan, uma adolescente de dezessete anos, para conseguir a bolsa escolar dos seus sonhos na universidade do Alabama. O negócio de Jordan é o futebol americano. Ela é a quarterback e capitã do time de sua escola secundária no Tenessee. A posição de quarterback é extremamente ofensiva e normalmente esses caras são considerados as estrelas dos times. Neste caso, é uma garota. Filha de um famoso jogador e atual treinador, um de seus maiores desejos é conseguir o apoio do pai, que ignora seus esforços em ser uma brilhante jogadora. Um grande jogo está se aproximando e para piorar a tensão do time, um garoto novo chega à escola. Ty Riggins. Forte, alto, lindo... e quaterback de uma escola no Texas. A rivalidade de Jordan e Ty é o caminho natural das coisas, ma a atração que existe entre ambos pode acabar atrapalhando tudo. Incluindo seus planos de bolsa e estrelato nacional.
“Catching Jordan” é uma leitura juvenil. A narrativa é em primeira pessoa e a protagonista é o que minha mãe chamaria de “Senhorita boca suja”, portanto, se você não gosta de um “fuck!” aqui e “dammit!” ali, fique longe do livro. Honestamente? Se os meninos conseguirem compreender a ideia de uma garota quaterback, vão acabar adorando o livro.
O relacionamento de Jordan com seu time é super divertido, sendo que ela é a garota que manda em todos. Quem dá as cartas é ela, e ninguém questiona isso. Nem mesmo seu amigo de longa data, Henry. Ambos se conhecem desde a infância e a grande intimidade entre eles é um dos aspectos mais bacanas do livro. Tenho amigos homens, na verdade, sempre me dei melhor com eles. São mais naturais, tranqüilos e raramente se chocam com alguma coisa. O que parece ser o comportamento padrão de algumas mulheres, especialmente na adolescência. Nada como um amigo homem para fazer você se sentir autentica. Jordan concordaria comigo.
Entre a tensão dos jogos e a complicada vida pessoal da personagem, a autora Miranda Kenneally toca em alguns pontos frágeis da sociedade que, em pleno século XXI, permanecem assombrando as mulheres. O preconceito no meio esportivo é um fato duro de enfrentar. Alguns esportes já conseguiram quebrar a barreira, como o vôlei e o basquete. Infelizmente, o futebol (americano ou não) continua sendo um esporte categoricamente masculino. As mulheres que se destacam (ex: a Marta da seleção brasileira) são tachadas de homossexual (o que não seria, de forma alguma, algo digno de piadas) e alvo de duras críticas em relação a seus papéis como mulheres na sociedade. Jordan sofre o preconceito de forma bem intima, já que o próprio pai não consegue aceitar a ideia de ter uma filha que se expõe dessa forma.
O romance com Ty é superficial, e isso não é algo negativo já que, durante a leitura, há uma reviravolta nas emoções da protagonista e um terceiro elemento (aka garoto) é adicionada à desastrosa equação emocional de Jordan.
Leitura gostosa, divertida, para garotas selvagens e ousadas, que não têm medo de se sujar um pouquinho.