Documento histórico "heterodoxo".
Neste livro, encontra-se uma compilação dos textos denominados de "Bilhetinhos a Jânio", publicados no jornal Diário Carioca em 1961. Neles, encontra-se, precipuamente, crítica em relação ao método de exercício do cargo de presidente da República por parte de Jânio Quadros, especialmente no que se refere aos seus famigerados "bilhetinhos", nos quais determinava-se uma enorme variedade de medidas e, pretensamente, delineavam-se políticas de governo. A ridicularização é o método primordial adotado por Pompeu de Sousa para analisar o comportamento do referido presidente, ressaltando as incoerências - as vezes, simplesmente absurdos - contidos nos pronunciamentos de Jânio Quadros, os quais se davam principalmente através de bilhetinhos. Utilizando-se de simetria no instrumento, o diretor de redação do Diário Carioca expunha, impiedosamente, a incompetência de Jânio, mas não somente: não raro este último simplesmente ignorava a delimitação constitucional de suas competências enquanto chefe do Poder Executivo, de modo a restringir, indevidamente, o exercício de direitos fundamentais. Trata-se, portanto, da análise crítica de um método de governo (ou da inexistência dele, como Pompeu de Sousa afirma mais de uma vez) em um tom humorístico. Por vezes, nota-se o destaque dado a noções aceitáveis na época, como a proeminência dos militares na política, o que torna os textos ainda mais interessantes do ponto de vista histórico. Por fim, convém ressaltar os constantes elogios feitos a Juscelino Kubitschek, em clara contraposição a Jânio Quadros. Aquele representaria a estabilidade, o bom-senso, a coerência, enfim, o modelo de um bom governante. Este, a incoerência, a intranquilidade e até mesmo o autoritarismo, como exposto em alguns "bilhetinhos" (do próprio e também do Diário Carioca). A qualidade da obra não diminui necessariamente em decorrência de tal fato, mas é necessário estar atento a este posicionamento de Pompeu de Sousa.
