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    Ovelha Negra - A revista que o Brasil não leu

    RYOT

    Pandemônio
    2011
    132 páginas
    4h 24m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    15 avaliações
    Leram24Lendo0Querem7Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos4Desejados7Avaliaram15

    Entre 1954 e 1969, circulou em Belo Horizonte uma revista de quadrinhos que marcou época na capital mineira. A “Ovelha Negra” trazia quadrinhos e matérias humorísticas que satirizavam os mais variados temas e setores da sociedade. Mas o regime militar foi deixando a circulação da revista cada vez mais prejudicada, até que em 1970 ela finalmente encerrou suas atividades, deixando um vazio no cenário cultural da cidade. 40 anos depois do fim da revista, “Ovelha Negra - A revista que o Brasil não leu” traz aos leitores do século XXI uma oportunidade de conhecer aquela que poderia ser considerada a maior revista de quadrinhos da história do Brasil, se a mesma não tivesse sido esquecida em caixas de papelão e prateleiras de sebos nessas últimas décadas. “Ovelha Negra” traz uma narrativa fragmentada, misturando quadrinhos, ilustrações, e textos para contar uma história complexa e interessante. Os mais de 10 personagens do livro contam suas histórias de maneira meta-lingüística, através de seus próprios personagens, apresentados no livro na forma de reproduções de páginas da revista. O livro é uma grande homenagem a toda uma geração de quadrinistas que revolucionou a maneira de fazer e pensar quadrinhos, nadando contra a corrente do mercado editorial para publicar obras cheias de personalidade, opinião e bom humor.

    Resenhas (1)Ver mais
    Fabio Zelenski picture
    Fabio Zelenski21/05/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ovelha Negra - a revista que meu vô leu

    Sou um fã assíduo de todo o trabalho do Ricardo Tokumoto, ele lança algo e lá vou em comprar, comentar, ler, interagir... Quando fui adquirir o Almanacão de Férias dele com o Gomba, vi que havia um livro que até então não ouvira falar: era o Ovelha Negra, assinado por ele e Daniel Werneck. Compulsivo, fui lá e comprei. Folheando-o, não saquei do que se tratava, mas, ainda assim, o li de cabo a rabo. Minto: entendi que se tratava de uma revista mineira lançada na época da Ditadura Militar. Franzia o rosto a cada página e, por isso, meu vô, de quase 90 anos, me indagou as caretas. "É esse livro, vô, tem algo nele", respondi. Meu vô, ao ver de que se tratava da Ovelha Negra, tomou-me o livro das mãos e o devorou em uma tarde. Deixei-o e somente à noite voltou a falar comigo. "Neto meu, você sabe do que se trata a Ovelha Negra? Preciso te contar que há um passado de que não me orgulho. No auge da Ditadura Militar, me vi forçado a trabalhar como um censor de publicações da época. Era um trabalho ingrato, muitos militares não entendiam o teor de textos e tiras e cabia a mim explicar a eles. Foi quando começou a chegar em minhas mãos alguns exemplares da Ovelha Negra. Os militares não sabiam direito o que era, mas sabiam que tinha algo de 'errado' nessa 'revistinha'. Eu lia e me encantava com cada personagem, cada tira, e, principalmente, com os autores, que matavam leões por dia para manter esse impresso nas ruas de Minas. Hoje vocês têm esses computadores, essa tal de internet, é tudo muito mais fácil e as crìticas são, na sua maioria, tão óbvias ou superficiais. Naquela época, até para ser óbvio era uma briga. Esses meninos têm coragem de 'relançar' a Ovelha Negra. E têm toda minha admiração. Se pudesse voltar ao passado, eu tiraria cada tarja de Crás, Bang e Boom e do Agente Zero-Zero-Zé - até aquelas que os próprios autores colocaram. Rapaz, eu me sentia um vilão. Me sentia um tolo ao desejar ser um mebro dOs Meteoros, ou ainda ao esboçar alguns rabiscos para mandar para a revista, na esperança de vê-los publicados, nem que eu mesmo tivesse que censurar depois". Meu vô não é muito de se emocionar, mas algumas lágrimas sairam de seus velhos olhos. Bom, eu continuo sem entender qual é da Ovelha Negra, mas meu vô parece bem agradecido pela publicação. Ele disse que recomenda e vale a leitura.

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    Ricardo Tokumoto profile picture

    Ricardo Tokumoto

    Ricardo Yoshio Okama Tokumoto, ou Ryot, nasceu em 1986 na cidade de Limeira, interior de São Paulo. Mudou-se pra Belo Horizonte em 2006 e cursou a faculdade de Belas Artes na UFMG, com bacharelado em Cinema de Animação. É responsável pelo site ryotiras.com , além de fazer quadrinhos pra revista MAD e outras publicações esporádicas. Faz parte do coletivo Pandemônio e também trabalha como ilustrador em vários setores, principalmente na área de Livros Infantis.

    26 Livros
    4 Seguidores

    Ricardo Tokumoto