É muito difícil falar mal de um livro, mas desse não tem como. Escrito por Ed Greenwood nos anos 80 - época no qual o Role Playing Game (RPG) e a fantasia estavam no auge -, Spellfire é o primeiro de uma trilogia, e também uma espécie de guia/resumo de aventuras para o tal estilo de jogo, concentrando-se no universo criado para o jogo Dungeons and Dragons (D&D). O autor relata as aventuras vividas por Shandril Shessair, uma garota simples que trabalha numa estalagem, até que a aventura bate em sua porta (bem ao estilo Bilbo Bolseiro) e ela sai para viver essa aventura.
Apesar de falar sobre um universo já querido pelos fãs de RPG, a obra é muito rasa. Personagens insossos, aventuras que não inspiram real perigo, diálogos constrangedores e, o que me parece pior, uma história de amor que precisa ser o sustentáculo da história, mas simplesmente não convence.
O par romântico de Shandril, Narm, é um aprendiz de mago meio idiota (que me faz lembrar Pod, o escudeiro de Tyrion Lannister), e Shandril não se porta como uma verdadeira heroína. Apesar das tentativas de Greenwood, ela sempre se apoia nos demais, especialmente em Narm - mesmo sendo capaz de controlar uma das magias mais poderosas do mundo. Shandril não é uma personagem que emociona.
Enfim, continuarei lendo a saga para ver se melhora. Ainda que reconheça o mérito de Greenwood - o primeiro a escrever sobre os Forgotten Realms - me parece triste que a leitura seja apenas uma sombra dos grandes épicos de aventura.