A experiência do espaço na física contemporânea -

    Gaston Bachelard

    Contraponto
    2010
    88 páginas
    2h 56m
    ISBN-13: 9788578660277
    Português Brasileiro

    A física pré-quântica supunha como evidente que a situação no espaço individualizava os corpúsculos como ela individualiza os corpos na escala comum. Bastava que dois objetos estivessem em lugares diferentes para que fossem diferentes e, se eram diferentes, estavam necessariamente em lugares diferentes. O lugar exato era um sinal essencial. [...] Já não é mais assim: dois objetos podem ser espacialmente idênticos, geometicamente indiscerníveis, de um modo que nenhuma experiência pode distingui-los. [...] Precisamos, pois, proceder experimentalmente seguindo uma lenta e regular redução de erro, por meio de uma conquista das probabilidades positivas. O mais real é o mais retificado, e não existe conhecimento primitivo que seja conhecimento realista. A realidade máxima está no término e não na origem do conhecimento.

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    Daniel Trugillo 13/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Me surpreendeu. Indico.

    Necessário para o estudante de Física e áreas afim. Ótimas reflexões que precisam ser lidas sem pressa (e num ambiente silencioso de preferência kkkk). ➡️ Livro não tem introdução e é dividido em 5 capítulos objetivos e que vão no cerne da questão: colocar a localização experimental do real como inerentemente probabilística. Para isso, ele utiliza muito do princípio da incerteza de Heisenberg (a partir de um raciocínio que eu nunca tinha visto/imaginado) e no último capítulo da tese do Jean-Louis Destouches (físico e filósofo). ➡️ Primeiro, Bachelard foi um filósofo (da ciência) e poeta. Isso fica muito evidente no texto ao escrever com magia, com analogia e brincando com a palavra como forma hipercontextualizada da linguagem. Exemplo: “para o microfísico, tocar um corpo é tão metafórico quanto tocar um coração” e “a vida ativa comum nos acostumou a considerar o provável como inferior ao certo”. ➡️ Ou seja, ler este livro foi como um passeio de argumentação contra o Realista. Na maior parte do texto, Bachelard dialoga com o que ele considera a posição Realista ingênua da física (a respeito do espaço), aquele que reivindica o direito de supor que a existência/realidade do ponto material, ou que os corpúsculos são imóveis. ➡️ No livro, Bachelard vai defender que o conceito de ponto material “é tão imaginário quanto a raiz quadrada de -1” e porque deveríamos abandona-lo ao considerarmos o estudo da Física. Também, o autor defende o papel crucial da probabilidade em nosso conhecimento “a realidade é uma chance”, “razão humana e ‘raio do elétron’ são sínteses estatísticas”. ➡️ Noutras palavras, Bachelard ao longo do texto mostra que “o realismo é certo na medida que é impreciso” e como o conhecimento atual na microfísica é baseado em pressupostos que não se sustentam à análise. No final, Bachelard ainda irá sugerir que passamos a interpretar o espaço físico a partir da noção de “vizinhança” em vez de “distância”. ➡️ RESUMO: gostei muito, me surpreendeu. Não é uma leitura fácil, mesmo para quem é da área. Mas é uma leitura essencial para (re)pensar o que você aprendeu na universidade. Livro é bem curto. Capítulos objetivos, mas que demandam leitura atenta. Indico muito para os curiosos epistêmicos de plantão! Insta literário: @trugaindica

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