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    Do Silêncio -

    David Le Breton

    Instituto Piaget
    1999
    279 páginas
    9h 18m
    ISBN-10: 972771093X
    Português
    4.8
    2 avaliações
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    "Toda a intenção ditatorial começa por calar a palavra, A modernidade "comunicacional" pelo contrário, faz da palavra uma necessidade a qual não nos é possível "escapar". Entre estes dois extremos há que refletir sobre as modalidades e o "ser" do silêncio, o seu estatuto na conversação, a mudez autista, o mutismo da análise ou a "dissolução da linguagem no horror" até a "estreita conveniência" entre o silencio e o sofrimento, o silencio e a agonia"

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    Sergio Gomes picture
    Sergio Gomes17/01/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Para uma cultura do silêncio?

    Da cultura grega, passando pela cultura japonesa e chegando até nossa cultura ocidental, o silêncio é acima de tudo algo que pode ser tomado em uma ampla dimensão de conceitos teóricos, antropológicos, filosóficos, sociológicos, jurídicos e psicológicos ou psicanalíticos. Para o sociólogo David Le Breton, em seu livro “Do Silêncio”, o silêncio pode ser considerado um vestígio arqueológico na medida em que estrangula um intruso: a palavra. Linguagem e comunicação, portanto, são as contrafaces do silêncio e do não dito, do pensado e do segredo, da palavra vazia e do calar-se, ou, como diz o autor, “a saturação da palavra induz o fascínio do silêncio”. Bem sabemos que na comunicação, não há lugar para o silêncio, pelo contrário, estamos o tempo todo sendo coagidos a proferir uma palavra, a esboçar um pensamento, a dizer uma verdade, a dar um testemunho, a falar e a dizer o que nos vem à mente (tal como numa sessão de psicanálise), pois, para a comunicação, a palavra nada mais é do que a resolução de todas as dificuldades pessoais e sociais que o silêncio pode promover. É preciso, portanto, produzir uma fratura no silêncio através do discurso para alcançarmos o verbo. A ideologia da comunicação, segundo Le Breton “assimila o silêncio ao vazio, a um abismo no seio do discurso. Não compreende que, às vezes, é a palavra que forma a lacuna do silêncio”, que por sua vez é inimigo do “homo communicans” e implica em uma verdade a ser proferida, “uma interioridade, uma meditação, uma distância assumida em relação à turbulência das coisas, uma ontologia que não tem tempo de aparecer, se não estivermos atento a ela”. Ainda segundo o autor, “o imperativo de dizer tudo dissolve-se na ficção de que tudo foi dito, mesmo se deixar sem voz aqueles que teriam coisas diferentes a dizer, ou teriam escolhido um discurso diferente. Dizer não é suficiente, nunca é suficiente, se o outro não tiver tempo para ouvir, para assimilar, para responder”. Estamos envoltos hoje em um mundo saturado de comunicação de massa: televisão, telefone celulares, internet, rádio-transmissores, aparelhos de mp3, anúncios digitais de notícias ao vivo em grandes capitais no mundo, sem falar no espetáculo da estetização do eu, configurado pelos blogs, orkuts, facebooks, googles, enfim, uma série de tecnologias da comunicação de massa e de redes sociais, além de série de aparelhagem tecnológica que faz com que a comunicação seja quase um imperativo categórico. A palavra, nesse sentido, não tem fim, não tem pausa, não tem descanso, não respira, é insuflada no seu mais alto grau. É como se não tivéssemos tempo hoje, no mundo das mass midia para pensar, para dar pausas aos nossos próprios pensamentos, para respirar a cada nova imagem ou representação mental. Não há pausas nem silêncios para os meios de comunicação em massa. Eles sobrevivem do ruído e do discurso ou da verborragia por ela produzida. Tornamo-nos uma sociedade altamente comunicante e fracamente coincidente, empobrecida de sentido das mensagens que nos chegam face à imediatez das comunicações de massa. Nesse tipo de sociedade, “uma palavra sem presença permanece sem efeito concreto sobre um ouvinte sem rosto”, diz Le Breton.

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    David Le Breton

    David Le Breton é professor de Sociologia e Antropologia da Universidade de Estrasburgo, na França. Seus trabalhos influenciam a produção sociológica e antropológica sobre os estudos acerca do corpo e da corporeidade, além da dor, do silêncio, das condutas de risco, que são alguns dos temas que dialogam nessa esteira que o pesquisador conecta em seus livros. É autor de uma série de obras publicadas na França e traduzidas para várias línguas em todo o mundo.

    13 Livros
    15 Seguidores

    David Le Breton