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    A República -

    Platão

    Fundação Calouste Gulbenkian
    2010
    512 páginas
    17h 4m
    ISBN-13: 9789723105098
    Português
    4.1
    4916 avaliações
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    Do mais antigo ensaio de teoria política utópica, como se tem chamado à República, pode dizer-se, paradoxalmente, que começou cedo a exercer grande influência. Apesar de criticada por Aristóteles já na época helenística vemos postas em prática duas novidades ensinadas por este diálogo, e confirmadas pelas Leis: as escolas públicas, sustentadas pelo Estado, e a educação das raparigas. E também a orientação dos estudos para a Filosofia (a rivalizar com a direção oposta, ensinada por Isócrates, que consistia em ver na Retórica o coroamento natural do desenvolvimento intelectual dos seus alunos). Tampouco deve esquecer-se o papel do mito de Er (bem como dos outros três sobre o mesmo tema) na fixação de uma escatologia com castigos e recompensas, de acordo com o procedimento moral de cada um. Tal como sucede em todos os domínios da cultura grega, também neste a máxima difusão é alcançada através dos Romanos. Bom conhecedor dos filósofos helénicos e seu principal divulgador, Cícero devotava culto especial a Platão, cujos diálogos quis imitar, sobretudo os dois maiores, escrevendo um De Republica e um De Legibus. Na primeira destas obras havia até uma parte – a que se conserva intacta – chamada Sonho de Cipião, que constituía uma réplica ao mito de Er. É extremamente significativa a escolha do destruidor de Cartago para ouvinte da revelação que lhe faz o seu antepassado por adoção, Cipião o Africano, pois, com estas figuras, estamos no ponto de intersecção entre a virtus romana e a sophia grega. Inspirado no modelo de Platão, Cícero descreveu uma cidade que é uma idealização de Roma e que, por sua vez, servirá de modelo ao principado de Augusto. Desse modo se pode afirmar que, embora indiretamente, ela passou do património da literatura utópica para o da história universal.

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    Resenhas (267)Ver mais
    Clio picture
    Clio23/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Em tempos em que a discussão política permeia tudo e é quase impossível ver um meme, ler uma notícia ou mesmo sair na rua sem se deparar com meia dúzia discutindo, faz bem estudar um pouco do assunto em seus conceitos mais básicos. A República, também chamado Da Justiça, é um diálogo socrático escrito por Platão no século IV a.C. Nele temos um grupo de filósofos discutindo primeiramente sobre a validade da Justiça e da Injustiça. Só essa primeira parte já valeria a leitura do livro. O conceito atual de Justiça se confunde com a noção de Igualdade que por sua vez se mistura com a Democracia. Os três termos representam ideias totalmente diferentes, e aqui temos uma rica discussão ainda em seus primórdios. Mas a discussão sobre Justiça se desenvolve para a de Sociedade. A proposta descrita em A República é que a formação de uma cidade depende exclusivamente de seus cidadãos, então temos a maior parte do texto descrevendo e tentando definir o que é o cidadão perfeito. Esse não deve ser considerado unicamente como um termo político. O autor discorre sobre a formação dele como individuo em função da comunidade, moldando corpo e alma (parte do conceito platônico de dualidade) para melhor servi-la. Se dá então uma longa discussão sobre quais são as virtudes buscadas, os vícios a serem evitados, o que define alguém ou sua profissão, a forma como a própria análise é buscada. E é claro, conceitos como falta de ciências que suportassem tal empreitada - A parte que talvez seja a mais complexa do livro: a exposição de Platão do Mundo das Ideias e dos graus de conhecimento que depois será usada para definir o tipo de educação que formaria essa sociedade. A discussão se encerra referindo-se aos diferentes tipos de governo e a escolha mais adequada a essa cidade ideal. Convém, contudo, prestar atenção aos termos utilizados que podem facilmente se confundir com seus homônimos modernos. Não seria nem um pouco improvável que algum primeiranista ou leigo no assunto confundisse o Anarquismo grego com o de Trotsky. De fato, acho sempre complicado analisar o uso de termos em uma obra traduzida, especialmente porque não sei por quantas traduções e revisões o original passou. Mas posso dizer que embora linda, a edição da Nova Cultural não traz notas ou qualquer outro texto de suporte.

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