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    Ética e Mídia - Liberdade, responsabilidade e sistema

    Carlos Josaphat

    Paulinas
    2007
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-10: 8535618619
    Português Brasileiro
    3.7
    3 avaliações
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    Ética e Mídia sugere um encontro, um andar junto. É o convite a um vaivém amigo. A ética emerge de um olhar atento sobre a experiência humana da mídia. Não joga com imperativos vindos de fora ou caindo do alto. Aborda a função social da comunicação à luz dos valores da verdade, da autonomia e da solidariedade. Liberdade, responsabilidade e sistema: aí está o itinerário insinuado pelo subtítulo. A liberdade foi a primeira (e continua sendo sempre) e necessária conquista da mídia. Sem dúvida, é indispensável, mas não basta. Nessa marcha e luta da mídia, a liberdade é convidada a não resvalar no individualismo, nas falsas evidências caprichosamente tecidas com miúdos retalhos de meias verdades, mas a ter o sentido do dever e do direito, a afirmar-se como responsabilidade, pela qual o ser humano, a sociedade e a mídia desabrocham no jardim bem cuidado da ética e da felicidade. O desafio cresce quando se menciona o sistema. A responsabilidade diante e dentro do sistema sugere um paradigma, original e um tanto difícil, de análise social e elaboração ética. Para tornar viável esse projeto, não se pode ficar em generalidades, exortações nem denúncias. O livro aponta para uma estratégia ética de compromisso e ação. A estratégia, conjunto racional e operacional de valores, normas e modelos éticos, é a proposta completa que convém e responde à complexidade do conteúdo e do dinamismo do sistema. Aí está o caminho ou o ideal que ilumina a caminhada: da liberdade à responsabilidade, com o público e os profissionais da mídia buscando uma responsabilidade partilhada, juntos em um empenho redobrado, inventando uma estratégia ética, sistêmica, bem fundada e eficaz.

    Resenhas (1)Ver mais
    Pedro A. Queiroz picture
    Pedro A. Queiroz21/05/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Ética e Mídia

    O Frei Carlos Josaphat é um frase que trata e lida com comunicação há bastante tempo. A missão dele neste volume é, depois de enfrentar a ditadura do Brasil exilado no exterior e se dedicar ao estudo da comunicação pensada como instrumento de união do ser humano com ele mesmo, traz a análise das principais características da mídia audiovisual e impressa no Brasil e no mundo. No início da leitura, é curioso achar que se trata apenas de um manual de comunicação, como alguns utilizados por comunicólogos, mas foi-se revelando um guia prazeroso e fácil de ler com linguagem bastante acessível para entendermos o estado atual da mídia no Brasil, principalmente. São 10 capítulos, que por mais que pareçam repetitivos, dão cada um a sua contribuição. De brinde, como o Frei chega a comentar sobre o papel da mídia na Igreja Católica, de anexo um documento papal em fac-símile do século XV com sua transcrição. A contribuição do livro é exatamente para que saibamos o que esperar da mídia e o que esperar das notícias que escutamos diariamente. Um guia que nos oferece a oportunidade de refletirmos quantas vezes for necessário sobre um assunto em vez de simplesmente engolir notícias guela abaixo. Muito bom!

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    Carlos Josaphat Pinto de Oliveira profile picture

    Carlos Josaphat Pinto de Oliveira

    É um teólogo dominicano brasileiro, professor emérito da Universidade de Friburgo, Suíça, Dr. Honoris Causa pela PUC Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 2014. Carlos Josaphat nasceu na pequena cidade de Abaeté, no centro do estado de Minas Gerais. Aos 12 anos, deixou a cidade para estudar no Seminário Menor de Diamantina. Posteriormente transferiu-se para Petrópolis, a fim de estudar filosofia e teologia. Foi ordenado em 8 de dezembro de 1945. Entre 1946 e 1950, ensinou no Colégio do Caraça, no Seminário de Mariana e, finalmente, no Nordeste do Brasil, especialmente nas cidades de Fortaleza e Recife, onde conheceu Paulo Freire, de quem viria a ser amigo. Ingressou na Ordem dos Dominicanos em julho de 1953. No mesmo ano, partiu para a França, onde permaneceu até o primeiro semestre de 1957. Nesse período, teve o primeiro contato com os grandes teólogos que iriam colaborar na renovação da Igreja - tais como o jesuíta Karl Rahner (1904-1984), e os dominicanos Yves Congar e Marie-Dominique Chenu - e na defesa dos Direitos Humanos - como Jacques Maritain, Etienne Gilson e Emmanuel Mounier. Voltando ao Brasil, ainda em 1957, foi encarregado de orientar os estudos e a vida intelectual dos dominicanos no país, tarefa que exerceu até dezembro de 1963. Tornou-se conhecido nos anos 1960, por seu engajamento político e social. Com apoio da Juventude Universitária Católica (JUC) e da Ação Popular (AP), fundou o semanário Brasil Urgente, que circulou entre março de 1963 e 1° de abril de 1964. O jornal propagava a militância social e foi alvo de ataque dos católicos conservadores até ter suas atividades encerradas durante o golpe militar de 1964, quando a polícia política invadiu a redação e fechou o jornal. "Fascistas preparam golpe contra Jango!", dizia a manchete da última edição (número 55) do Brasil Urgente "Fora padre comuna", dizia uma pichação anônima na porta principal da Igreja de São Domingos, no bairro das Perdizes, em São Paulo onde o frade celebrava missas muito frequentadas em razão das suas homilias. Em dezembro de 1963, Frei Josaphat partiu novamente para a França Continuou, porém, a colaborar com o Brasil Urgente, até o fechamento do jornal. Da França, transferiu-se para a Suíça, por ordem do Vaticano e por pressão do núncio apostólico em Brasília, D. Sebastiano Baggio. Nos 30 anos seguintes, não voltaria ao Brasil . Em 1965, obteve seu doutorado em Paris, com uma tese sobre a ética da comunicação social. Até 1993, foi professor de ética da comunicação no Instituto de Jornalismo e Comunicação Social da Universidade de Friburgo, da qual é professor emérito. Em sua vida universitária, seus escritos e conferências a preocupação de Carlos Josaphat se concentra nos problemas sociais, nos desafios éticos da civilização científica e tecnológica e especialmente nas relações entre a ética e o cristianismo diante dos desafios da modernidade e da pós-modernidade. De volta ao Brasil no segundo semestre de 1994, voltou a lecionar na Escola Dominicana de Teologia, no Instituto Teológico do Estado de São Paulo (ITESP) e em outras universidades do Brasil, além de ter publicado mais de duas dezenas de livros. Estudioso de Tomás de Aquino, comentou as questões sobre a Justiça da Suma Teológica. Segundo Frei Josaphat, no pensamento de São Tomás, a propriedade privada não é uma concessão à fraqueza humana pois permite ao Homem exercer suas responsabilidades em relação à criação e à sociedade. Mas ela deve resultar de leis justas e de costumes virtuosos por parte da comunidade dos cidadãos, de maneira a escapar a qualquer privatização da moral e a utilizar as riquezas tendo em vista o bem comum. Outro importante assunto da obra do Frei Josaphat é a vida e obra do também dominicano Bartolomeu de Las Casas.

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    Minas Gerais, Brasil

    Carlos Josaphat Pinto de Oliveira