Contos de Terror do Tio Montague - Uncle Montague's Tales of Terror

    chris priestley

    Rocco
    2008
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788561396145
    Português Brasileiro

    Tales of Terror #1 - O escuro causa medo por uma razão. Ou várias. Contos de terror do tio Montague é o sétimo livro de Chris Priestley, escritor, cartunista e ilustrador britânico cuja obra foi publicada tanto pela Bloomsbury Publishing – mesma editora da saga Harry Potter, escrita por J. K. Rowling – quanto pela gigante Random House. Primeiro livro de Priestley a ser publicado em português, Contos de terror do tio Montague chega ao Brasil pelo selo Pavio, da Editora Rocco, e promete captar a atenção da garotada com sua atmosfera sombria e elegante, resultado do casamento perfeito entre o texto afiado de Priestley e as charmosas ilustrações de David Roberts, na melhor linha dos clássicos de suspense. O interesse de Chris Priestley em histórias arrepiantes vem desde sua adolescência. Pelos nomes dos dois principais personagens do livro, é possível verificar as influências do autor ao escrever a obra. Tio Montague e seu sobrinho, Edgar, tiveram seus nomes inspirados por dois grandes escritores de imortais linhas macabras: M. R. James (Montague Rhodes James) e Edgar Allan Poe. Seguindo os passos de James e Poe, o estilo narrativo de Priestley e os elementos usados nos contos são clássicos. Casas mal-assombradas, pactos com demônios, monstros estranhos, relíquias amaldiçoadas e uma cornucópia de sons e vultos que arrepiam a alma fazem de Contos de terror do tio Montague um bom exemplo de literatura de terror para jovens, mas com um toque de nostalgia para os adultos. O livro conta a história de Edgar, um menino que se refugia na casa de seu excêntrico tio para ouvir suas histórias arrepiantes. Com pais que não dão muita importância para sua presença, Edgar procura o tio para passar o tempo, pois sua curiosidade em ouvir histórias horripilantes é tão grande quanto a vontade do tio de contá-las. Para Edgar, os contos são apenas invenções fantasiosas do velho tio. Mas para Montague, são contos que deveriam não somente assustar o sobrinho, mas ensiná-lo que, quando o assunto é o além, todo o cuidado é pouco. Em uma espécie de metalinguagem, o leitor é apresentado aos contos assim como Edgar. A cada história contada, a principal e que une todas como uma detalhada tapeçaria – entre o tio e Edgar – fica mais misteriosa. Ora é um mordomo que traz a bandeja com o chá, mas nunca aparece, ora é a estranha presença que Edgar sente estar o observando. “Existe alguém mais vivendo aqui, tio?” Edgar pergunta ao ouvir a maçaneta chacoalhar na porta, e a resposta, embora simples, não é otimista, mas um tanto quanto ambígua: “Vivendo? Não”, responde o tio. A narrativa de Contos de terror do tio Montague fica cada vez mais densa à medida que o tio Montague escolhe histórias mais assustadoras para contar a Edgar. Embora a narrativa seja leve e feita para ser lida em voz alta, os temas de cada conto são bem macabros e assustadores. Mas, segundo Chris Priestley, essa é a idéia, pois o autor espera que seus contos assombrem os leitores assim como os de James e Poe o assombraram.

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    Piter Salvatore02/02/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O filho do Edgar Allan Poe que escreveu? (rs)

    PREMISSA: Edgar tem um tio contador de histórias que mora numa mansão vitoriana no meio de um bosque sinistro. Nas férias, Edgar gosta de ir à casa do homem para ouvir os mais variados contos de terror enquanto eles tomam chá com biscoitos. No entanto, desta vez, o garoto nota que uma sensação estranha paira sobre a casa, e começa a entender que talvez possa haver uma coisa ou alguém semelhante em todas as histórias, o que culmina na revelação de um segredo surpreendente sobre o tio. OPINIÃO: Quando comprei este livro, juro que o escolhi pela capa. A estética toda é maravilhosa, seus elementos combinam perfeitamente com o clima que o enredo nos passa. Imagine que você tem um tio esguio, pálido, alto e parecido com o Nosferatu, você iria na mansão horripilante dele, tendo que passar por um bosque também muito sombrio? Pois é. Edgar é faminto por histórias de terror. Talvez essa seja a maior razão para ele enfrentar todos esses desafios. A escrita de Chris Priestley é bastante influenciada por Edgar Allan Poe (trocadilho com o protagonista, quem sabe?). Não há como não perceber as semelhanças: símbolos que atraem medo (carvalhos velhos, corvos, fantasmas, demônios, velhas que parecem bruxas, molduras...), contos curtos com finais perturbadores e, claro, a linguagem onisciente a qual permeia narrador. O mais singular de tudo talvez seja o final, que, apesar de suspeito desde o início, mostra-se ainda inesperado. Por fim, alguém por favor dê um oscar ao ilustrador pelas imagens sensacionais. CONCLUSÃO: Tales of Terror, embora feito para crianças (sim, um absurdo, não?) é uma obra para ler no final de semana com um copo de chá do lado e comendo biscoitos. A versão que tenho é a não traduzida, no entanto, recomendo a leitura para quem quer começar a praticar seu Inglês. Considerei-o também como exemplar gótico, pois ele possui todas as características de um: melancolia, obscuridade, sobrenaturalidade, uma ambientação típica e personagens que fazem referência aos simbolismos do movimento.

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