O Ba? do Tio Quim, Luiz Antonio Aguiar, ilustra?es de Casa Rex, 1? edi??o, S?o Paulo-SP:
Biruta, 2012, 157 p?ginas.
Quando o ba? do Tio Quim chegou, causou um bocado de assombro na fam?lia. Veio com um bilhete, escrito ? m?o, dirigido ao pai de Ded?: ?Leandro, Pode guardar este ba? para mim? Qualquer hora eu passo para pegar. Um abra?o, Quim?. Acontece que, pelo que a fam?lia sabia, Quim estava morto fazia muitos anos.
?Um pressentimento. Como se n?o estivesse sozinha no quarto. Como se ali, de dentro do ba?, o tal tro?o a estivesse vigiando, enquanto ela sonhava. E agora que o sonho fora interrompido, o dito tro?o mantinha-se fixado nela. Obcecado por ela. Querendo-a em sil?ncio, im?vel, s? olhos? (p?g. 14).
O projeto gr?fico do livro O Ba? do Tio Quim segue o mesmo estilo de A ?ltima Carta, escrito por David Labs, o que n?o significa que exista muitas semelhan?as entre os dois livros. Se ? poss?vel encontrar tais semelhan?as, talvez elas se resumam a exist?ncia de uma rela??o familiar nas hist?rias, mas nada al?m disso, mesmo porque os dois enredos seguem caminhos completamente opostos.
O livro de Luiz Antonio Aguiar retrata com maestria o cotidiano de uma fam?lia, revelando os problemas capazes de desestruturar o conv?vio familiar e desestabilizar o emocional de todos, embora v? muito al?m disso. Ao desenvolver o mist?rio por tr?s do ba? que d? t?tulo ? obra, o autor criou a expectativa pelas respostas para todas as d?vidas e assim conseguiu me manter preso ? hist?ria, mesmo que esta seja marcada pela simplicidade.
Essa simplicidade s? ? ofuscada, se ? que posso usar essa palavra, conforme a figura do Tio Quim ? aos poucos explorada. Quim ? uma personagem peculiar e vivenciou aventuras que at? Deus duvidaria, por isso que t?o logo essas aventuras foram narradas, tive a certeza de que algo muito louco ainda aconteceria. N?o deu outra, mas infelizmente em um ou outro momento acabei me sentindo perdido, como se algo de outro mundo desviasse a minha aten??o propositalmente justo durante as aventuras de Quim.
Em todo caso, para chegar ao resultado dessas aventuras, que envolve inclusive uma mitologia ? e a? que est? o diferencial ?, o autor precisou antes dar um destaque ? fam?lia de Ded?, mas nem assim foi preciso tirar o foco do que realmente importava. Mesmo quando o assunto em quest?o n?o tinha qualquer rela??o com o ba?, o autor encontrou ?timas formas de interligar todos os pontos, o que contribuiu para que, entre outras coisas, me sentisse envolvido com a hist?ria.