Nesse livro temos o encontro do pacato e metódico Henry com sua tia Augusta, seu total contraponto. Inspirando-me na letra de Quereres (Caetano Veloso), temos o encontro do descanso com o desejo, de quem pisa o chão com quem a alma salta, da família com o maluco, do eunuco com o garanhão, da ternura com o tesão, do irmão com o lobo, da quaresma com fevereiro. Segundo a resenha da edição que li é uma recriação do episódio do demônio tentando Cristo, e o autor não fica em cima do muro para dizer quem leva a melhor, percebemos isso através de qual personagem tem seu rumo mudado.
O livro é dividido em duas partes, e achei a primeira bem mais estimulante e divertida, embora a segunda não tenha sido uma leitura chata. O autor tem uma ironia nada sutil, e usa de bastante malícia e humor em sua narrativa. Há bastante sarcasmo no olhar para com as autoridades e instituições públicas, principalmente no que envolve competência e honestidade (nada surpreendente para um morador, como eu, de terras tupiniquins).
Li que o próprio autor classificava alguns livros de sua vasta obra em entertaiment (entretenimento, em livre tradução). Penso que esse livro se encaixaria muito bem nessa classificação. Um daqueles livros que a leitura é fluida, rápida e divertida. Um bom entretenimento.