Nasce-se homossexual, não se escolhe sê-lo. Deve-se saber, portanto, que a causa da homossexualidade é a mesma da heterossexualidade e da bissexualidade: a escolha inconsciente do objeto de desejo. Pergunta-se frequentemente se a homossexualidade seria uma experiência normal, e por vezes ouve-se dizer que ela pode até ser normal, mas não é natural. Mas é exatamente o contrário. A homossexualidade é natural e não necessariamente normal, porque normal diz respeito a norma, às regras de uma determinada sociedade e natural refere-se a estar presente na natureza.
É violento dizer, como por vezes se ouve no movimento espírita, que o indivíduo homossexual não deve viver a homossexualidade, pois nega-se ao indivíduo o direito à expressão natural de sua condição afetivo sexual. Muitas pessoas acreditam que o homossexual deva viver a abstinência sexual ou se esforçar para viver um relacionamento heterossexual. Obviamente, esse pensamento baseia-se numa cultura heterocentrada e na apologia do sofrimento como forma de expurgo e evolução, o que subliminarmente remete ao castigo divino de um Deus punitivo apresentado pelo pensamento judaico cristão ocidental.
É fundamental salientar que espírito nenhum evolui exclusivamente por sofrer. Em qualquer experiência, o amor é o caminho por excelência. "Misericórdia quero, e não sacrifício" (Mt 9:13). A relação homossexual baseada no amor e nos valores do respeito e do autocuidado recíproco são fontes fartas de reeducação afetiva e aprendizado de valores.
Assim concluiu o espírito André Luiz:
"Erro lamentável é supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis convenções humanas, possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do amor é infinito em sua essência e manifestação. Insta fugir às aberrações e aos excessos; contudo é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no universo para amar e serem amados."
É importante ressaltar que nenhuma referência à homossexualidade é encontrada nas falas de Cristo, dos apóstolos ou discípulos que com Ele conviveram diretamente. Isso porque o Evangelho é uma grande mensagem de inclusão, respeito e alteridade. Havendo a presença do amor, não importa o campo de experiências que viva o indivíduo desde que aquela vivência o preencha de experiência amorosa.
Concluo com a sabedoria de Emmanuel: "Em torno do sexo, será justo sintetizarmos todas as digressões nas normas seguintes: Não proibição, mas educação. Não abstinência imposta, mas emprego digno, com o devido respeito aos outros e a si mesmo. Não indisciplina, mas controle. Não impulso livre, mas responsabilidade."