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    Invasão vertical dos bárbaros -

    Mário Ferreira dos Santos

    Matese
    1967
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.4
    298 avaliações
    Leram454Lendo54Querem545Relendo1Abandonos3Resenhas35
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    Bárbaros – povos não civilizados; entre os gregos, todos os estrangeiros que não falassem o grego ou o latim; entre os romanos, todos os que não se encontravam sob seu domínio. Horizontal – Invasão por meio territorial Vertical – Invasão por meio cultural A civilização ainda não atualizou toda a capacidade de realização do atual ciclo cultural. No entanto, o caráter entrópico dos elementos corruptores deste ciclo é o que prevalece em nossos dias. Devido ao viés contingente da cultura, não é possível seus rumos encarar de forma determinista ou absoluta. Por este motivo, é preciso entender as inteligências que, se aproveitando do barbarismo, minam os alicerces da cultura. A ética do bárbaro é a ética do dente por dente, do olho por olho. É a ética da vingança, é a norma do que deseja apenas o castigo, do sádico que só se satisfaz ao ver o adversário morder o pó da derrota. Não é o que vence e dá a mão para levantar o vencido. Não é o que busca a solução que o tornará amigo de seus semelhantes. Não é o que ama, mas o que odeia. O bárbaro ameaça a nossa ética. Invade todos os caminhos, penetra nos lares, nas escolas. Quer estabelecer a sua grandeza, na sua miséria, proclama a sua força onde esta não está, aponta a sua exaltação, quando ela é depressão, e quando julga olhar a sua altura apenas está vendo o vale, em cujos pântanos ele perdura. Sues vôos são apenas saltos de sapos, ou arrancos de fera, nunca o vôo das aves que invadem o azul do céu, e que são símbolos da grandeza e da inteligência humana.

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    Rafael Delsin picture
    Rafael Delsin01/03/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Mario sinalizava a destruição cultural do Brasil

    Sabe aquelas questões que rondam nossas cabeças a respeito de que a sociedade está caminhando para um lado superficial, vazio em seu sentido, e cuja maioria das pessoas colaboram com essa realidade. É justamente disso que o livro trata. Mas vai além dos costumes praticados pelo “cidadão comum”, Mario demonstra que a classe intelectual também está impregnada pelo espírito da barbárie, e aponta para o futuro. Temas como a valorização exagerada do corpo em detrimento da mente; a exploração sobre a sensualidade; a valorização do inferior como referencial do belo, e muitos outros superficialismos cotidianos são demonstrados numa forma sintética no manifesto, e, assim, identificamo-nos logo de cara para com a realidade presente. Já na segunda parte, sobre “O barbarismo e a intelectualidade”, Mario apresenta-nos com maior elaboração os temas em que mostra a decadência do meio acadêmico, no qual desvalorizam os valores universais, a inteligência individual, a exclusão dos que apresentam ideias elevadas. O mérito universitário passou a ser nivelado por baixo, seja parecido com os seus pares, nunca algo além – para que eles não o detratem. O panorama que Mario fizera na década de 60, já apontava para o futuro do país: a destruição da alta cultura no Brasil. Ele anteviu a barbárie que já estava em curso há décadas atrás. Com a diminuição da meritocracia, do senso estético e outras pequenezas. Já no século 20, essa hegemonia de pensamento tomou tamanha amplitude – seja nas fissuras cotidianas – seja no âmbito acadêmico, o qual passou a ser um mérito a ser alcançado

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    Mário Dias Ferreira dos Santos

    Filósofo, escritor e tradutor brasileiro, escreveu sobre várias disciplinas em sua <i>Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais</i> e desenvolveu seu próprio sistema filosófico, a <i>Filosofia Concreta</i>. Era um socialista libertário e anarquista cristão.

    60 Livros
    114 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Mário Dias Ferreira dos Santos