O cerne principal dos ensaios é a discussão do novo complexo de reestruturação produtiva que atinge o mundo do trabalho nos últimos trinta anos. Para nós, o toyotismo é o “momento predominante” da reestruturação produtiva que ocorre sob a mundialização do capital. Por outro lado, o caráter ensaistico do livro permite que possamos apresentar, a título de sugestão para uma investigação critica, uma série de novos elementos categoriais para a análise do complexo de reestruturação produtiva. Por exemplo, pela primeira vez, expomos a idéia de que o complexo de reestruturação produtiva é constituído por uma tríplice dimensão, isto é, as inovações organizacionais, inovações tecnológicas e inovações sócio-metabólicas. Consideramos que são as inovações sócio-metabólicas que propiciam a “captura” da subjetividade do trabalho ao capital. Buscamos explicitar o que entendemos por “subjetividade”. Através da utilização do léxico freudiano, explicamos a categoria de subjetividade como sendo constituída pelas instâncias psíquicas da pré-consciencia, consciência e do inconsciente. Inclusive, sugerimos o conceito de inconsciente extendido para explicar a nova densidade da “substância” psíquica alienada que surge de uma sociedade hiperfetichizada nas condições de uma subjetividade complexa. Sob o capitalismo manipulatório, é cada vez mais importante dissecarmos as teias de controle e dominação do capital não apenas no plano político-sociológico, mas psicossocial. Apresentamos também, nestes ensaios, o conceito de sócio-metabolismo da barbárie que busca salientar as novas condições do metabolismo social do capitalismo global. Levantamos a hipótese de que é o sócio-metabolismo da barbárie que cria os pressupostos psicosociológicos dos consentimentos espúrios instaurados pelo capital.