Quando eu peguei o livro para ler, foi com o pé atrás. Ja tinha lido outro da mesma autora e não gostei, achei um tanto enfadonho. E também tem alguma coisa na capa, que apesar de bonita, não me convenceu. Mas, assim que comecei a ler, deixei todos os meus pré-conceitos para trás.
O livro inteiro trata de um acontecimento histórico do reinado de Richard II (tem uma peça de Shakespeare sobre ele). A mocinha é filha bastarda do antigo rei, que é avô do atual, e é tratada por todos como "filha da meretriz" (que aliás é o título oficial do livro), aliás tem uma notinha no final do livro explicando esses fatos. Ela juntou toda a sua coragem e foi até a corte, se humilhar perante o rei, para conseguir um casamento. Casamento, na época, para a mulher, era uma questão de pura sobrevivência. E ela precisar arrumar um casamento vantajoso para o sustento da família.
Só que o mocinho não pensa assim. Para ele, ela nada mais é que uma interesseira que está somente de olho nos cofres reais. Alias, o dinheiro real é o único interesse dele, que é um dos conselheiros indicados para conter os excessos do rei.
O rei, como vingancinha, decide casar o Justin (o mocinho muquirana) com a famosa “filha da meretriz”, mas ele diz que só casa se ela provar que o ama verdadeiramente. Mas como provar que você ama uma pessoa que não conhece, e duvida de tudo o que você fala? Como tentar convencer alguém que não que ser convencido e que só se interessa pela “verdade” e pela “justiça” acima de tudo? Tarefa ingrata!
A pobre mocinha tem uma situação muito difícil pela frente: ela é pega nas intrigas da corte e obrigada a espionar o próprio noivo para o rei, ao mesmo tempo em que tem de provar que ama verdadeiramente o noivo e prover o sustento da família. Percebeu o drama?
Além de uma historia ótima, o livro ainda dá uma aula sobre a justiça, a verdade e o poder. Para quem está acompanhando os recentes escândalos sobre a corrupção no Brasil e o mensalão, com certeza vai encontrar muitos paralelos com a história do livro.
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