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    A Virada - O Nascimento do Mundo Moderno

    Stephen Greenblatt

    Companhia das Letras
    2012
    292 páginas
    9h 44m
    ISBN-13: 9788535921144
    Português Brasileiro
    4.3
    121 avaliações
    Leram197Lendo28Querem233Relendo0Abandonos7Resenhas9
    Favoritos21Desejados233Avaliaram121

    Stephen Greenblatt, professor de Harvard e um dos acadêmicos mais respeitados do mundo, construiu neste livro tanto uma obra historiográfica inovadora como narrou a história incrível de uma descoberta, em que um manuscrito retirado de mil anos de esquecimento mudou o curso do pensamento humano e tornou possível o mundo tal como o conhecemos hoje. Segundo o poeta romano Lucrécio, tudo o que existe é fruto de algo que ele chama de virada - um pequeno desvio que tira as coisas de sua trajetória natural para criar o novo. Em uma colisão aleatória de diferentes moléculas, surge a vida; com uma mutação genética espontânea, cria-se uma nova espécie. Caso esses pontos de inflexão fossem visíveis e determináveis, certamente um deles remontaria a janeiro de 1417, quando o caçador de livros Poggio Bracciolini resgatou das prateleiras de uma biblioteca monástica a obra-prima de Lucrécio, o poema Da Natureza, até então dado como perdido. Era um belo poema contendo as ideias mais perigosas: que o universo funciona sem o auxílio dos deuses, que o medo religioso está destruindo a vida humana, que prazer e virtude não são opostos, mas que estão interligados. Bracciolini, porém, não tinha como adivinhar a reviravolta que estava por vir. Típico homem de seu tempo, era secretário de um papa corrupto e testemunha de excomunhões arbitrárias e execuções sumárias de hereges na fogueira. Seu fascínio pelos textos antigos parecia antes estilístico que ideológico. Este livro (ganhador do National Book Award e do Pulitzer) conta sua história, e mostra como sua descoberta deu origem ao que hoje chamamos de modernidade.

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    Bruno Godinho23/07/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Defendendo uma velha tese

    Stephen Greenblatt é famoso por seus estudos da cultura europeia e, em particular, por ser um proponente do chamado "novo historicismo" (New Historicism). Duplamente situado - na história intelectual e na crítica literária - o novo historicismo ganhou bastante fama nos anos 1990 e, aqui no Brasil, parece ter tido tímida entrada no campo da história visto que a historiografia francesa constitui uma grande muralha de influência a ser transposta. Greenblatt escreve maravilhosamente bem e é muito erudito. Seu comando das referências e da escrita para compor uma narrativa envolvente são invejáveis, características que muitos bons historiadores carecem. Tanto para o leitor especialista quanto para o leigo, A virada pode ser uma experiência deliciosa. O especialista, no entanto, não pode (ou não deveria) deixar passar um detalhe. O subtítulo do livro, "O nascimento do mundo moderno", entrega os pontos de Greenblatt como um partidário da velha ideia de que o século XV - o cenário temporal de sua narrativa sobre o humanista italiano Poggio Bracciolini - é o início da Era Moderna. Por consequência, fecham-se as portas da Idade Média. Sabemos há muito tempo, desde o início do século XX, que essa ideia é contestável e, desde pelo menos os anos 1970-80, que há muito de "medieval" (há discussões se esse é o termo mais adequado para fazer essa caracterização, mas deixemos em suspenso) nos tempos modernos e, para sermos francos, em nossos tempos também. Aqui e ali, Greenblatt faz um esforço para mostrar que muito da cultura em que vivia sua personagem principal era ainda tributária da vida cotidiana medieval. Especialmente no que diz respeito à cultura livresca da época, que era essencialmente moldada na produção de manuscritos - a imprensa só surgiria na Europa nos anos finais da vida de Bracciolini. Em todo o resto e, especialmente na atmosfera intelectual, Greenblatt força uma caracterização de "modernidade" e abandono de uma "medievalidade". Como se o humanismo italiano fosse algo totalmente inovador e original. Não era. Entre historiadores e filósofos, surgiu a crítica à extensão e importância que o autor atribui à redescoberta e, mais ainda, à circulação do texto De rerum natura de Lucrécio, a baleia branca de Poggio. Estranha defesa de uma tese que, há muito tempo, sabemos carcomida. Ao menos nos meios especializados. Há de se admitir, por exemplo, que o ensino de História brasileiro ainda não deu conta de extirpar de vez essa noção de que o Renascimento foi uma ruptura com a Idade Média. Por isso é preciso afirmar que esse não é um livro de história. É um livro sobre a história de um homem, de um texto de filosofia, de uma cultura. Em outras palavras, não é uma pesquisa histórica e, por isso, não apresenta nem hipótese, nem coleta de dados, nem interpretação, nem conclusão. Distinção que talvez seja difícil ao leitor não-treinado no método histórico, mas importante do mesmo jeito. Para um livro que tem tudo isto - hipótese, dados, interpretação e conclusão - e, ao mesmo tempo, possui uma narrativa envolvente, vale ler O queijo e os vermes, do italiano Carlo Ginzburg.

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    Stephen Jay Greenblatt profile picture

    Stephen Jay Greenblatt

    É considerado por muitos como um dos fundadores do New Historicism (Novo Historicismo) - a que ele também se refere como "poética cultural" -, uma das mais influentes escolas de crítica e teoria literária, a partir do início dos anos 1980, quando Greenblatt introduziu a expressão na introdução de The Forms of Power and the Power of Forms (1982), uma coletânea de ensaios sobre o Renascimento editada por ele e publicada como edição especial do periódico Genre. Stephen Greenblatt escreveu vários livros e numerosos artigos sobre o Novo Historicismo, o estudo da cultura, a Renascença e sobre a obra de Shakespeare sendo considerado um especialista nessas áreas. Seu trabalho mais conhecido é Will in the World, uma biografia de Shakespeare que esteve na lista dos livros mais vendidos durante nove semanas, segundo o New York Times. Editou mais de dez obras, incluindo a sétima edição de The Norton Anthology of English Literature. É fellow da American Academy of Arts and Sciences e recebeu vários prêmios e honrarias.

    24 Livros
    4 Seguidores
    Massachusetts, Estados Unidos

    Stephen Jay Greenblatt