No século XIX, o argumento que as famílias usavam para impedir que as filhas aprendessem a ler ia muito além das convenções e regras culturais e sociais. Elas não deveriam ler porque não deveriam ser capazes de ler cartas de namorado. Mas, será que as famílias eram obedecidas? Podemos acreditar que no século XIX, no Brasil, as mulheres não liam? Além da escravidão, do colonialismo e outras mazelas ainda teríamos que suportar mais esse constrangimento no nosso passado? A pesquisa realizada por Maria Arisnete vem permitir-nos compreender de outra forma esse passado. Pelo menos, no Rio de Janeiro, na corte imperial, não só as mulheres liam, como também escreviam. Dá provas disto, o material a que a autora recorreu para mostrar que o resultado de muita vigilância se não provoca o assujeitamento, provoca a explosão do sol, explosão que ainda cintilam em livros e jornais e nas herdeiras que somos todas nós.