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    Jun Do - Uma saga de amor, esperança e redenção no país mais fechado do mundo

    Adam Johnson

    Lafonte
    2012
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-13: 9788581860435
    Português Brasileiro
    3.5
    92 avaliações
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    Favoritos10Desejados298Avaliaram92

    A jornada de um jovem criado apenas pelo pai, diretor de um orfanato, cuja mãe desapareceu de forma suspeita sob os auspícios do regime ditatorial da Coréia do Norte. Reconhecido por sua lealdade e pelos instintos aguçados, Jun Do chama a atenção dos superiores do Estado, alcança posições cada vez mais importantes, até se transformar num sequestrador profissional à serviço do Estado. Para sobreviver, ele aprende a circular em meio às regras voláteis, à violência extrema e às exigências absurdas das autoridades coreanas. Mas o destino lhe reservara outra surpresa. Levado ao limite do que qualquer ser humano é capaz de suportar, ele novamente se vê sem opções quando seu principal rival passa a ser o próprio ditador Kim Jong Il, que ameaça "roubar" a mulher que ele ama, algo que suspeita, pode ter ligação com o desaparecimento de sua própria mãe.

    Resenhas (13)Ver mais
    Higor picture
    Higor08/08/2020Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    'Lendo Pulitzer': sobre o patriotismo americano, e como os demais países são inferiores

    O Prêmio Pulitzer de Ficção tem como objetivo laurear a melhor história escrita por um americano e que, de preferência, aborde a vida americana, o que faz com que histórias muito interessantes de americanos com alguma descendência ganhem a luz do dia, onde o choque entre duas culturas totalmente distintas são abordadas à excelência, ou ao menos com precisão. Temos como exemplos o paquistanês-americano Daniyal Mueenuddin com seu ótimo 'Em outros quartos, outras surpresas', o vietnamita-americano Viet Thanh Nguyen e seu difícil mas necessário 'O simpatizante', e o americano com descendência judia Nathan Englander com o desconfortável 'Do que a gente fala quando fala de Anne Frank'. Porém, enquanto os livros acima cumprem seu papel de apresentar o impacto sócio-político-econômico-cultural que tal miscigenação impacta não somente, mas principalmente aos Estados Unidos, existem outros livros que são, aparentemente, apenas para encher o ego e o patriotismo americano para os nativos, mas que não agregam, sinceramente, nada para o país e nem para o leitor estrangeiro – de fato, serve para aumentar o patriotismo de leitores americanos. 'Jun Do', infelizmente, é um destes livros que, embora com críticas sociais esporádicas, pincela um Estados Unidos estereotipado aos olhos estrangeiros, mas com a mensagem clara e prática de que, mesmo que não conheçamos o país de fato, ou temos a impressão errada, ele ainda é o melhor país do mundo. Exemplos de livros ganhadores e finalistas do Pulitzer que passam a mesma mensagem são bem fáceis de elencar: 'The Underground Railroad: Os Caminhos Para a Liberdade', com sua história redondinha e didática sobre escravidão e 'Toda luz que não podemos ver', de Anthony Doerr sobre a Segunda Guerra Mundial e a participação fundamental e decisiva dos Estados Unidos para colocar um basta em tudo. A história de 'Jun Do', péssima escolha para 'The Orphan Master's Son' algo que, traduzido livremente e com sentido seria 'O filho do diretor do orfanato', tem um plot incrível, mas com uma execução um tanto frustrante: uma história ambientada na desconhecida, polêmica e intrigante Coréia do Norte. O próprio autor conversou com refugiados do regime ditatorial, também conhecido como governo mais inflexível do país mais fechado do mundo, além de ter viajado uma vez para conhecer o local e, assim, criar a história de maneira convincente. Um livro que nasceu, se não para abocanhar todos os prêmios possíveis, ao menos para vender rios de exemplares, dadas as circunstancias e curiosidades com o assunto. O livro, surpreendentemente, é narrado por um prisma pouco interessante e que torna o livro deveras cansativo. Ultrapassar a primeira parte, "A história de Jun Do" é uma tarefa árdua. O protagonista é apático, sem sentimentos e com uma frieza ou indiferença tão desconcertantes, que o leitor não sente a menor empatia pelo mesmo. O pouco que faz com que a leitura continua é, de fato, conhecer mais sobre a Coreia do Norte. A segunda e última parte, "As confissões do Comandante" dão inicialmente um alívio para a história engessada, mas logo volta a ser a mesma coisa, e o leitor, enfadado, cansado, não vê a hora de o livro acabar. A explicação para várias situações do livro, não convencem. Apenas são e prossiga e leitura, mas deixam o leitor com uma pulga atrás da orelha. Tudo bem que o líder do país, o falecido Kim Jong-il, é uma figura opressora e nada do que ele decide é questionado, mas ainda assim, o desconforto fica. Outro ponto está no subtítulo da edição brasileira: uma saga de amor, esperança e redenção. Ao longo das mais de 500 páginas o leitor vai encontrar de tudo, menos amor, esperança e redenção. Não vai encontrar também as possibilidades que a sinopse sugere. Talvez seja justamente pela maneira como foi tratado que o livro não funcionou. Capinha bonita de romance proibido a ser vencido com um cenário que em nenhum momento sequer aparece um similar na história, quando, na verdade, e inclusive no exterior, o livro é vendido com uma capa em ambientação de guerra, cenários navais e até mesmo de tortura, o que combina muito mais com o livro. Uma capa mais coerente salvaria ou melhoraria a história? Não, mas ao menos não seria vendido como algo que está longe de ser, preparando o leitor para uma ambientação, contexto e coisa do tipo totalmente diferente do que um amor que sequer existe, ou foi imposto, mas que, sabemos, não é puro ou verdadeiro. Além de personagem apático, casal forçado e trama engessada, o autor, Adam Johnson cumpre seu papel em engrandecer os Estados Unidos diante da Coreia do Norte, mesmo que com pitadas de humor negro e críticas ante a diferença entre os países socialista e capitalista. Uma sátira que é bem nítido se tratar de uma demonstração de patriotismo. Uma história com muito potencial, 'Jun Do' é um livro com muitos problemas ao longo de sua execução. Uma propaganda descarada de como a Coreia do Norte é equivocada e como os Estados Unidos funcionam muito bem, obrigado, mesmo com todos os seus problemas sociais, o que salva o livro são as curiosidades do país oriental, mas ainda assim, 500 páginas não compensam todo o esforço. Este livro faz parte do projeto 'Lendo Pulitzer'. Mais em:

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    3.5 / 92
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas4%
    Adam Johnson profile picture

    Adam Johnson

    Adam Johnson is a former Wallace Stegner Fellow who teaches at Stanford University. His fiction has appeared in Esquire, Harper's, and The Paris Review. He is the author of Emporium, a short story collection and the novel, Parasites Like Us, which won the California Book Award. His most recent novel, The Oprhan Master's Son, won the 2013 Pulitzer Prize for Fiction.

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    Adam Johnson