Desde os primeiros rascunhos da dissertação, a meta era realizar uma pesquisa que abordasse, com algum ineditismo, parte do vasto e ainda pouco explorado campo das relações entre Antropologia Social e Direito no Brasil. O recorte escolhido foi o das práticas mágico-religiosas-curativas punidas por leis vigentes no século XX. Infelizmente, tanto à época em que desenvolvi o trabalho quanto hoje, são ainda incomuns, em nosso país, estudos antropológicos interessados em "abordar as abordagens" que os "homens da lei" fazem das curas mágico-religiosas. Com o apoio de minha orientadora, dispus-me a isso e, para tanto, buscamos documentos produzidos por esses homens, a fim de mergulharmos em seu universo mental e dele emergirmos para observar o mundo tal como eles, oficialmente, o viam. Em outras palavras, levantamos as interpretações jurisprudenciais das práticas mágico-religiosas-curativas e as interpretamos, nelas tentando identificar seus principais pressupostos e o alcance de suas aplicações. Valemo-nos, para tanto, da tradicional postura antropológica que observa o outro para conhecê-lo e conhece-o para entender a lógica pela qual ele dá sentido ao mundo. Deslocamos, porém, a experiência de trabalho de campo antropológico, que põe, frente a frente, observador e observado, para uma experiência de trabalho documental, que distancia carnalmente o estudioso de seu objeto, mas o aproxima de suas representações escritas e de seus "rastros" oficiais. Também refocalizamos o costumeiro olhar antropológico deslocando-o das vivências do "homem comum" para apurá-lo relação as idéias dos homens de ciência.
Sortilégio de Saberes: - Curandeiros e Juízes nos Tribunais Brasileiros
Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer
IBCCRIM
2004
204 páginas
6h 48m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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