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    Blade Runner (Livros de Bolso -- Série Ficção Científica #43) - Perigo Iminente

    Philip K. Dick

    Publicações Europa-América
    1984
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-13: 9789721002616
    Português
    4.2
    20 avaliações
    Leram22Lendo4Querem26Relendo0Abandonos1Resenhas2
    Favoritos2Desejados26Avaliaram20

    Numa Terra moribunda, habitada por aqueles que não puderam emigrar para as Colónias ou pelos que não quiseram partir para uma nova vida em outros mundos e ficaram para trás, acompanhamos um dia na vida de Rick Deckard, caçador de androides. A sua missão é remover seis androides Nexus-6, mas esta tarefa vai ser mais complicada do que ele previa porque este modelo de replicante é, até o momento, o que melhor imita o ser humano... Philip K. Dick, Do Androids Dream of Electric Sheep? '-' A Guerra Mundial de 1992 E.C. deixara a Terra devastada, inóspita e poluída. Em 2021, o caçador de prémios Rick Deckard anda à procura da sua presa – andróides e replicantes renegados. Quando não os estava a «retirar» com o seu laser, Deckard sonhava em possuir um animal vivo – o último símbolo de status num mundo despovoado que se vê quase completamente privado de vida não humana. Num dia gélido de Janeiro, Rick viu a sua oportunidade: destacado para rastrear e eliminar seis andróides Nexus-6. Mas, no seu mundo, as coisas, nunca eram assim tão simples. A sua nomeação depressa se transformou num caleidoscópio de pesadelo, subterfúgio e fraude – e na ameaça de morte iminente que pairava mais sobre o caçador do que sobre as suas presas. «Um livro maravilhoso e complexo, escrito de maneira simples mas deixando na mente todas as espécies de ressonâncias». -- Brian W. Aldiss

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    Resenhas (2)Ver mais
    César Belardi  picture
    César Belardi 21/06/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Antes e Depois.

    É uma linha tênue a que separa um filme ficcional de uma realidade possível. Blade Runner assumiu posições as mais diversas nos seus quase 40 anos desde a estreia em 1982. De fracasso de bilheteria a Cult, o direito à vida, e à própria identidade, sem discriminações, é um tema permanente. Sob a alegoria de ser possível, graças à tecnologia espetacular do ano de 2019, robôs... androides... pessoas sintéticas... replicantes... poderiam ser criados, para que realizassem tarefas perigosas demais para humanos "originais". Tal qual pessoas, iguais a nós, que tanto no passado quanto em tempos atuais, realizam trabalhos escravos, mantendo sua vida à mercê da vontade do seu superior, independentemente de sua consciência. Os replicantes, tal qual qualquer indivíduo, são conscientes de sua existência, com desejos, esperanças, temores e nenhum direito. Caso questionassem seus "senhores", poderiam ser facilmente eliminados. O prazo de sua existência era de 4 anos, descartáveis depois disso, em troca de uma versão mais atualizada, mais "dócil". A metáfora do replicante é praticamente uma folha em branco, que permite inúmeras associações, desde a criação de uma nova geração sem qualquer certeza sobre a própria identidade até o eterno jogo do homem querer brincar de Deus. Mesmo quem nunca assistiu a esse filme, o que é uma grave falha de repertório, já viu a cena icônica do discurso final Roy Batty, interpretado por Rutger Hauer. A sequência, ainda bem recente, e que segue o mesmo cronograma do original (um relativo fracasso, inicial, um potencial Cult no futuro), retoma a questão da presença ilegal dos replicantes, desta vez colocando uns contra os outros, algo como "irmão caçando irmão". Detalhes e spoilers à parte, seria inevitável que esse universo chegasse a tal situação, afinal a humanidade teve sucesso brincado de Deus, às avessas: destruiu boa parte do planeta, extinguiu praticamente toda a vida selvagem, criou um paraíso virtual de ilusões. É nesse contexto que considero a cena que, pessoalmente, representa a essência de Blade Runner 2049. K (Ryan Gosling) é um replicante policial, com uma certa expectativa de Pinóquio, encarregado de caçar e eliminar os seus irmãos de uma geração anterior que insistem em sobreviver; Joi (Ana de Armas) é a inteligência artificial que serve a ele, prendada, dedicada, apaixonada por seu "mestre" e, frustrantemente, holográfica; Mariette (Mackenzie Davis) é uma replicante, prostituta, sem qualquer perspectiva clara a não ser sobreviver. Esses três desempenham uma das cenas mais significativas de toda a trama, mas que parece ter passado como uma simples curiosidade fetichista para boa parte da audiência. Joi só encontra uma forma de concretizar seu amor por K, e faz isso contratando os serviços de Mariette, porém não para apenas observar como uma voyeur, algo absolutamente humano e mundão. Como um holograma, sem matéria, ela pode ser "vestida" por Mariette, uma segunda pele virtual. A doçura da cena, que me colocou na beirada da poltrona, e reajo assim todas as vezes que a revejo, foi sua essência, além da plástica. A consciência está presente neles, sabem o que são de fato, objetos construídos, para uso e consumo, como um eletrodoméstico que poderá ser facilmente descartado depois de algum tempo, são propriedades, até mesmo entre si. São três "coisas", três construções, produtos da indústria, descartáveis, com um número de série, mas absolutamente honestos em suas esperanças, cada um buscando descobrir o divino de existir, de sentir-se vivo, não em um ato automático... autômato..., mas no entendimento de ser. K, sentir amado por aquela a quem não pode tocar, uma Julieta que o acompanhará por toda a existência, em quaisquer situações, mas ainda está fora de seu alcance. Joi, experimentar a sensação se "ser alguém de verdade", completa e plena, dando um passo de maturidade ao assumir e demonstrar seus sentimentos. Mariette, descobrindo que seu motivo de existir não é tão mundano quanto seus clientes podem fazer parecer, entendendo o que é, como é, o sentimento de amar a alguém. Esses personagens transitam entre três conceitos que constituem a identidade, a intimidade, de uma pessoa: forma, conteúdo e essência. Minha sugestão é a de rever essas obras, com calma (que falta a muitos de nós neste começo de 2020) e com tempo (que assombra a muitos de nós neste começo de 2020), sem pré concepções, de mente aberta, e procure nelas algo que ficou evidente nos faltar neste começo de 2020: a humanidade.

    3 curtidas

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    Avaliações

    4.2 / 20
    • 5 estrelas55%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
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    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick