Escrava Isaura (Literatura Brasileira) -

    Bernardo Guimarães

    Ciranda Cultural
    1995
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-10: 8575201174
    Português Brasileiro

    Escrita no ano de 1875, a "Escrava Isaura" [ASIN : B08NXGZLYS ] é um romance que procura retratar os usos e costumes da sociedade brasileira escravocrata do século XIX, tendo como pano de fundo, o contexto histórico da escravidão e os movimentos abolicionistas. O autor cria um romance nacional em que o amor é instrumento de denúncia da hipocrisia de seu tempo. No decorrer da trama é possível perceber como era a relação entre senhores e escravos, como aconteciam os castigos e o quanto a liberdade era almejada por todos eles. (...) Com a morte de seus antigos senhores, Isaura passa a “pertencer” ao filho deles, Leôncio Almeida, que escandalizou a sociedade local ao negar-se a libertar Isaura — último desejo de sua mãe no leito de morte que o pai de Leôncio, o Comendador Almeida, havia jurado fazer cumprir. Por sua boa índole, Isaura recusa-se a dar vazão aos desejos que o cruel Leôncio nutre por ela. Escrito em plena campanha abolicionista (1875), o livro conta as desventuras de Isaura, escrava branca e educada, de caráter nobre, vítima de um senhor devasso. O romance foi um grande sucesso editorial e permitiu que Bernardo Guimarães se tornasse um dos mais populares romancistas de sua época. O autor pretende, nesta obra, fazer um libelo antiescravagista e libertário e, talvez, por isso, o romance exceda em idealização romântica, a fim de conquistar a imaginação popular perante as situações intoleráveis do cativeiro.

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    Clio31/10/2023Resenhou um livro
    3 (Bom)

    A Escrava Isaura é uma das obras brasileiras mais populares do mundo e tem motivo, seu princípio é que o preconceito pela cor da pele é nulo e torpe. Ótima premissa, mas que exige um pouquinho de consciência critíca ao lê-la. Guimarães é um escritor típico de seu tempo e carrega a obra com excesso de descrições e momentos dramáticos. Todos os exemplos típicos do Romantismo estão presentes: o amor mal-fadado, o sofrimento da heroína, o ideal de beleza associado a dor, o vilão terrível e semi-onipotente. Há inúmeras circustâncias em que a palavra branca aparece ou é associada com bondade ou civilização. A proposta de "embranquecimento" parece óbvia, no entanto há também várias repetições das raízes de Isaura. Essa contradição permanece na sociedade brasileira e é explicítada pelo autor sem meias palavras. Como uma obra incipiente do movimento anti-escravagista, sua publicação causou furor na época e, mesmo hoje, é alvo de críticas por aqueles que tentam levar conceitos modernos a épocas antigas. Seu valor, logicamente, é calcado em seu peso como crítica e retrato social e menos como literatura. Recomendo.

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