Subam a bordo, marujos! Agarrem-se às cordas e preparem-se para limpar o convés, pois estamos partindo rumo A Descoberta do Novo Mundo. E muito cuidado ao se aproximarem das amuradas do navio, pois as águas presentes na história de Mary Del Priore são tudo menos calmas, e é possível que não tenhamos tempo de gritar “Homem ao mar!”.
Desta vez a Editora Planeta nos apresenta um romance histórico destinado ao público jovem. Todavia, mesmo com sua alcunha de literatura juvenil, esse livro de Mary Del Priore pode e deve ser aproveitado por qualquer um, pois mescla de modo brilhante a história do Brasil recém-descoberto com a aventura de jovens crianças enfrentando toda uma sorte de aventuras impostas pela época na qual vivem.
Aliás, talvez este seja um dos aspectos mais interessantes da obra, pois grande parte dos acontecimentos históricos narrados no romance é apresentada por meio da visão e interpretação dos jovens protagonistas. Estes, obrigados a enfrentar situações nas quais muitos homens pereciam, conseguem utilizar-se de sua inocência para mostrar como que muitas crenças que os adultos possuíam na época estavam erradas.
O enredo do livro centra-se em dois personagens principais. Pedro e Paulo são duas crianças que, devido a uma série de acontecimentos, acabam embarcando rumo ao Brasil, com o objetivo de tornarem-se uns tais de “línguas dos Santos”. Sem nem saber o que é isso, mas repletos de sonhos gerados pelas histórias a respeito do tão afamado novo mundo, os meninos enfrentam a terrível e mortal viagem a navio.
Mas as aventuras desses jovens protagonistas não param por aí. De modo semelhante ao mar, que supostamente é repleto de monstros e termina em um abismo sem fim, a nova nação também é um local envolto em crenças e mistérios. Supostamente, lá existem índios canibais, adoradores do demônio, montanhas constituídas basicamente de prata e cidades submarinas feitas inteiramente de ouro. E é sonhando e temendo tudo isso que Pedro e Paulo chegam à nova terra.
Toda essa epopeia é permeada pela característica mais forte da obra. Se vocês repararem, eu apontei diversas vezes o aspecto histórico deste romance. Pois bem, A Descoberta do Novo Mundo é uma verdadeira aula de história, mas sem a monotonia de um texto educativo. No caso, nos são apresentados aspectos culturais, políticos, religiosos e econômicos da época (dentre tantos outros, que posso ter me esquecido de citar). Confesso que, em alguns momentos, essas descrições tiraram o meu foco da história de Pedro e Paulo, mas mesmo assim são sempre passagens deveras interessantes, devido ao seu fator informativo.
Para complementar a narrativa, não posso deixar de destacar as ilustrações de João Lin, que estão presentes no início de cada um dos capítulos. Essas ilustrações, além de muito bem feitas, dão um gostinho do que está por vir a cada um dos capítulos. E essa não é a única característica destas imagens, pois algumas acrescentam um nível a mais de interpretação, pois representam a evolução dos protagonistas durante a narrativa.
Em suma, A Descoberta do Novo Mundo é uma leitura que eu recomendo muito. Mesmo sendo um livro de literatura juvenil, e se caracterizando por ser uma obra de leitura rápida (o livro tem pouco mais de 100 páginas e eu terminei a leitura em, no máximo, uma hora e meia), este é um romance muito interessante, pois consegue nos transportar para a pele de garotos em situações desfavoráveis à sua idade. Desta maneira, você tem a possibilidade de acompanhar o crescimento deles até o status de homem, em uma jornada que mostrará que é sempre importante sonhar.
Agora, passo a palavra à vocês. Por acaso, você tem costume de ler obras de literatura juvenil? E quanto à literatura histórica, você gosta deste gênero? Comentem! Vamos fazer desta resenha um ambiente para discussão.