Não sei o que escrever sobre a história, a não ser que ela mexeu muito comigo. Carina conseguiu colocar em suas páginas algo totalmente diferente e inusitado. E acho que foi isso que me agradou tanto.
O livro é formado por quatro diários: o primeiro é de Coralina de Lilá, onde relata sua chegada à casa de Giacomina - uma freira que mora sozinha e tem um grau distante de parentesco com a garota e sua mãe. Para Coral, é muito difícil aceitar que sua mãe se 'rebaixou' tanto e foi cuidar da freira. A autora conseguiu descrever perfeitamente conflitos entre mãe e filha, o que me fez pensar muito nas atitudes que tenho com a minha mãe. Nesse diário, a garota também conta sobre uma torre que enxerga ao lado de fora da casa, mas não faz ideia de como entrar na mesma. Quando consegue entrar na torre, Coralina conhece um garoto "mágico": Érus. Ele leva Coralina a um mundo indescritível, um lugar poderoso e encantador. Érus e Coralina possuem uma ligação muito forte e se apaixonam. Mas as visitas ao amado começam prejudicar Coral, e ela precisa decidir entre viver a paixão ou ficar com sua família (e seu cachorrinho lindo, Netuno).
"Quanta culpa exalava de minha mãe, eu chegava a tocar seu remorso. Remorso por não realizar seus sonhos, por não construir a vida maravilhosa para sua filha, por não conseguir me proteger de todos os males. Eu queria poder abraçar mamãe e dizer-lhe que a compreendia, que ela deveria esquecer toda essa angústia, que eu amava a nossa vida justamente por tê-la como mãe." P. 21
O segundo e terceiro diários são narrados por Giacomina. Neles, ela conta como se tornou freira, como Érus foi parar na torre e quais foram os motivos que a levaram convidar Coral e Tarsila (sua mãe) para morarem com ela. Ela também fala sobre Coralina e sua relação com a mesma. Confesso que esses diários foram os que mais me 'arrepiaram' durante a leitura. No decorrer desses capítulos, os pontos chaves do livro são revelados e tudo começa a fazer sentido. A freira relata que também foi vítima dos encantos da torre e de Érus.
No entanto, o quarto diário pertence a Érus. Nele, o garoto relata como foi chegar até a torre e descobrir seus mistérios e magia, como conheceu Coralina (antes d'ela ter chego na casa de Giacomina) e explica porque precisa tanto dessa garota para 'sobreviver', além de descrever sua convivência com a freira.
Como podemos analisar, são três lados da história. Três versões de um mesmo enredo, que se completam e instigam a curiosidade do leitor. Os diários são narrados em épocas diferentes e fora de ordem de acontecimentos. Gostei bastante da transição entre um diário e outro.
O livro é pequeno (cerca de 200 páginas) e os capítulos são relativamente curtos, o que me deixou muito feliz. Com certeza entrou na minha lista de favoritos ♥ Super recomendo Memórias Fictícias.