O Mez da Grippe - E outros Livros

    Valêncio Xavier

    Casa Romário Martins
    1981
    75 páginas
    2h 30m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

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    jota 1101/09/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Reforma ortographica...

    Cerca de quase cem anos atrás Curitiba comportava uma população de pouco mais de 70.000 habitantes. Seus periódicos noticiavam outro tipo de problema, que não se ligava à corrupção como hoje em dia, mas à gripe espanhola (surto de influenza), que matou muita gente então. Tempo em que a grafia das palavras era rebuscada e anteontem se escrevia "ante-hontem"... Misturando realidade e ficção, Valêncio Xavier (1933-2008) nos entrega em O Mez da Grippe não apenas uma história daqueles tempos doentios (outubro a dezembro de 1918), este livro que tem a capital do Paraná como um de seus personagens principais, mas mais outros quatro, Maciste no Inferno, O Minotauro, O Mistério da Prostituta Japonesa & Mimi-Nashi-Oichi e 13 Mistérios + O Mistério da Porta Aberta, reunidos pela Companhia das Letras num volume único de 324 páginas. Especialmente O Mez da Grippe é um texto-montagem, todo construído com fotos, desenhos, cartões-postais, manchetes e ou notícias de jornais da época, um poema erótico (ou poemas eróticos) etc., que de alguma maneira, mas não muito, faz lembrar dos livros de W. G. Sebald (de Austerlitz e outras obras), sem a complexidade (seriedade?) deles. Não que as semelhanças entre Xavier e Sebald sejam grandes, nada disso, repito. Mas, pelo uso que fazem da iconografia, foi do escritor alemão que me lembrei durante a leitura. Os quatro outros livros também apresentam grafismos mas em pequena escala, uma ou outra foto, um ou outro desenho etc. Eles tratam de tempos mais próximos de nós e de coisas diversas que a gripe espanhola: crimes, roubos, fantasmas, um homem-macaco chamado João da Silva, truques de mágicos, sexo, prostitutas japonesas e polacas, erotismo etc. Mas não tem nenhum vampiro buscando pescoços de donzelas, que essa criatura em Curitiba é do domínio de Dalton Trevisan, bem entendido. É prazeroso ler Valêncio Xavier? Não o tempo todo; às vezes acaba sendo muito mais curioso, pois você não sabe o que vai acontecer no próximo livro ou mesmo no próximo parágrafo de uma de suas narrativas. Se será testemunha de um acontecimento insólito, se será apresentado a algum estranho personagem, se a moça que desapareceu no trem-fantasma de um parque de diversões da cidade era também um fantasma ou de carne e osso e assim por diante. O certo é que este é um livro bastante diferente daqueles que estamos acostumados a ter em mãos normalmente, não apenas na forma, também no conteúdo. As histórias de Valêncio Xavier são originais porque certamente sendo não apenas escritor, igualmente cineasta, roteirista e diretor de tevê, ao criá-las ele não se contentava apenas em usar a linguagem escrita, ia além dela. Lido entre 25 e 31/08/2015.

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