NAMED ONE OF THE BEST BOOKS OF THE YEAR BY San Francisco Chronicle • Newsweek/The Daily Beast • The Seattle Times • The Economist • Kansas City Star • BookPage On February 14, 1989, Valentine’s Day, Salman Rushdie was telephoned by a BBC journalist and told that he had been “sentenced to death” by the Ayatollah Khomeini. For the first time he heard the word fatwa. His crime? To have written a novel called The Satanic Verses, which was accused of being “against Islam, the Prophet and the Quran.” So begins the extraordinary story of how a writer was forced underground, moving from house to house, with the constant presence of an armed police protection team. He was asked to choose an alias that the police could call him by. He thought of writers he loved and combinations of their names; then it came to him: Conrad and Chekhov—Joseph Anton. How do a writer and his family live with the threat of murder for more than nine years? How does he go on working? How does he fall in and out of love? How does despair shape his thoughts and actions, how and why does he stumble, how does he learn to fight back? In this remarkable memoir Rushdie tells that story for the first time; the story of one of the crucial battles, in our time, for freedom of speech. He talks about the sometimes grim, sometimes comic realities of living with armed policemen, and of the close bonds he formed with his protectors; of his struggle for support and understanding from governments, intelligence chiefs, publishers, journalists, and fellow writers; and of how he regained his freedom. It is a book of exceptional frankness and honesty, compelling, provocative, moving, and of vital importance. Because what happened to Salman Rushdie was the first act of a drama that is still unfolding somewhere in the world every day. Praise for Joseph Anton “Joseph Anton is a splendid book, the finest new memoir to cross my desk in many a year.”—Jonathan Yardley, The Washington Post “A harrowing, deeply felt and revealing document: an autobiographical mirror of the big, philosophical preoccupations that have animated Mr. Rushdie’s work throughout his career.”—Michiko Kakutani, The New York Times “Thoughtful and astute . . . This is an important book not only because of what it has to say about a man of principle who, under the threat of violence and death, stood firm for freedom of speech and freedom of religion, but also because of its implications about our times and fanatical religious intolerance in a frighteningly fragile world.”—USA Today (4 out of 4 stars) “Compelling, affecting . . . Joseph Anton demonstrates Mr. Rushdie’s ability as a stylist and storyteller. . . . [He] reacted with great bravery and even heroism.”—The Wall Street Journal “Joseph Anton beautifully modulates between such moments of accidental hilarity and the higher purpose Rushdie saw in opposing—at all costs—any curtailment on a writer’s freedom to say what he or she wants.”—The Boston Globe
Joseph Anton - A Memoir
Salman Rushdie
Salman x Rushdie
"A fotografia só via o que estava diante dela, e por isso um fotógrafo jamais conseguiria captar a verdade dos grandes pampas argentinos. “Darwin observou, e Hudson corroborou”, Borges escreveu, “que essa planície, famosa entre as planícies do mundo, não deixa uma impressão de vastidão em alguém que a olha do chão, ou a cavalo, uma vez que seu horizonte é o horizonte do olhar e não vai além de cinco quilômetros. Em outras palavras, a vastidão não se encontra em cada visão dos pampas (que é o que a fotografia é capaz de registrar), mas na imaginação do viajante, em sua lembrança dos dias de marcha e da previsão de muitos dias mais.”" Era assim que Salman Rushdie se sentia, uma figura chapada cuja vastidão tinha sido solapada desde o dia em que fora condenado à morte por conta de um trecho de seus Versos Satânicos, no qual, em determinado capitulo, ele faz alusão a um trecho supostamente excluído do Alcorão, em que Maomé recorre à intercessão de três deusas pagãs de Meca. Condenado como blasfemo, ele recebeu sentença de morte com uma fatwa (espécie de pronunciamento islâmico com validade legal que determinadas autoridades religiosas têm poder de emitir) proclamada pelo xá do Irã Ruhollah Khomeini). A partir deste dia, 14 de fevereiro de 1989, sua vida mudou completamente. E durante os 13 anos que viveu sob pesadas restrições, o desafio mais complicado que se impunha a ele era ter de justificar, como se não fosse vítima de pesada censura religiosa, que sua luta era pelo direito de ser, tanto quanto qualquer outro ser do mundo todo, soberano no que compete à sua escrita. De não ser calado pela opressão religiosa, que se revela, ao longo do trajeto, não só aliada do fundamentalismo, mas também de rabo preso com questões políticas e econômicas. Parece elementar, não? Mas não é. Salman foi tachado de arrogante, grosseiro e aproveitador, inclusive pela imprensa ocidental, que muitas vezes colocava o assunto sob panos quentes, e exigia até mesmo do acusado um pedido de desculpas ao islã para apaziguar a questão. Sem contar a omissão do governo, não só o britânico, mas de vários outros países, incluindo os EUA, que relegavam enfrentar a situação de frente, como se a ameaça à liberdade e a tentativa descarada de execução de um cidadão do "mundo livre" fosse um problema menor perto das questões mais importantes (e rentáveis) que as negociações com o Irã demandavam. Por isso a sensação de ser um retrato dos pampas argentinos. O Rudshie pintado pelo mundo, privado de si próprio, mal dando conta de fazer entenderem o que era o mais elementar ali, o que estava de fato em jogo, vivia em severa reclusão. Foram longos anos de luta. Companhias aéreas se recusavam a transportá-lo, alguns países faziam o máximo esforço para não recebê-lo, seu livro foi banido de vários países e ele não era autorizado a entrar na Índia, local onde nasceu. Trancado em casa, cercado de policiais, ele era Joseph Anton (que veio de Tchekhov e Conrad, dois dos seus escritores preferidos), e tinha que se esconder no banheiro quando alguém aparecia para fazer manutenção ou limpeza do seu próprio lar. Ele era incômodo, as pessoas não gostavam que o governo britânico gastasse "exorbitantes quantias" para protegê-lo de seus próprios erros. Um dia Ian McEvan, questionado sobre isso, declarou que gastavam muito mais com o Príncipe Charles e o pior era que o herdeiro nunca tinha escrito algo interessante. Questões menores que o seu direito de escrever sem amarras ocupavam praticamente todo o espaço que o caso recebia. Pessoas morreram por conta do celeuma. O tradutor japonês foi assassinado, o italiano, esfaqueado Na Noruega, o editor do livro levou três tiros, mas também sobreviveu. Sem contar as várias pessoas mortas nos países de regime islâmico durante os protestos contra o livro. Foi um longo cabo de guerra que trouxe à baila uma questão que ainda hoje não foi superada (só ver o que aconteceu a Houellebecq com seu Submissão, ou ao Charlie Hebdo). Por isso é muito bom ler, compreender e se solidarizar com a causa de Salman - e também de todos os outros que são calados injustamente. Liberdade não pode ser um conceito relativo.
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