As núpcias do escorpião -

    Tico

    Independente
    2012
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-13: 9788591439607
    Português Brasileiro

    "Neste novo trabalho, Tico vem nos revelar, ou escancarar, esse mundo que alguns insistem, eufemisticamente, em tratar com as belas palavras de 'vulnerabilidade social'. Os pés-rapados, os fudidos, os sujos, a ralé, os pobres, os atormentados, os debaixo na escala de servidão em que estamos metidos até o sangue. Ele nos leva a perambular por esse universo no qual esteve lado a lado com seus personagens ou ele próprio afundado ali. Tico, que já esteve vinte vezes internado em cativeiros modernos, narra, com conhecimento de causa e das causas, os horrores que a maquinaria do sistema fabrica, distribuindo suas doses de loucura para cada um. Para escrever 'As núpcias...', Tico refugiou-se para as bandas do sertão de Ubatumirim, num lugar à luz de lamparina, fogão a lenha e pássaros, e foi longe do olho do furacão, no qual estivera, que pôde espiar pelas frestas da natureza as brutezas a que estamos sujeitos. Ele observa tudo, não passa nada batido, mas também não nos deixa rastros, não apresenta vestígios de para onde iremos na próxima página. Uma coisa é certa, caro leitor, suas eventuais desgraças dificilmente serão piores que a desses personagens.' (Binho, poeta [Sarau do Binho]). Esta é uma publicação financiada pela Agência Popular de Fomento à Cultura Solano Trindade através do Fundo Popular de Cultura, gerenciado pelo Banco Comunitário União Sampaio. Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo o fortalecimento da cultura popular, estimulando e apoiando escritores, poetas, músicos, atores, escultores, cineastas, dançarinos, pintores e demais artistas populares da quebrada. Apoio: União de Mulheres de Campo Limpo e Adjacências, Sarau do Binho, Luta Popular, Ciclo Contínuo. SOBRE O AUTOR Francisco Pinto de Campos Neto, 54, o Tico, sepulta cadáveres de dia e concebe personagens ao anoitecer. De segunda a sexta, das 9h às 16h, é coveiro no cemitério da Consolação, no centro de São Paulo. Em 1980, Tico passou em letras na USP, mas não terminou a faculdade. Trabalhou como revisor na área e, inquieto, fez de tudo um pouco: assistente de caminhão, porteiro de boate gay, pintor de parede... A vida foi ficando difícil, e ele acabou indo morar na rua. Tinha 34 anos quando foi internado pela primeira vez, numa instituição particular, por conselho do irmão mais velho --Tico tinha virado um copo de álcool Zulu. "Passava dias bebendo e cheirando pó." Foi confinado 20 vezes por causa do vício, em clínicas privadas e públicas. Está sóbrio há dez anos --por força de vontade, não à força pelas intervenções médicas, acredita. No ano passado, o homem que desde menino sonhava em viver de literatura viu um cartaz da prefeitura: concurso para sepultador. Conseguiu dinheiro emprestado e se inscreveu. Também em 2012, foi acolhido por Robson Padial, 48 --é dele o Sarau do Binho, projeto itinerante que reúne artistas da periferia paulistana. Tico conheceu ali a Agência Popular de Fomento à Cultura Solano Trindade, que financiou uma tiragem de 500 exemplares de "As Núpcias". Das dez histórias do livro, quatro se passam em manicômios. A temática rendeu a Tico, em maio, o 5º Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos. A obra trata de abuso de medicamentos, punição e abandono. Nenhum personagem é real, mas o autor escreve com conhecimento de causa. (Folha de São Paulo - 04ago2013)

    Resenhas (1)Ver mais
    Graziela Lorenzi picture
    Graziela Lorenzi03/06/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

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    Bom li esse livro pra escola... É bem intereçante, bom não preciso falar mais nada porque essa sinopse abaixo diz tudo. SINOPSE: Tico vem nos revelar, ou escancarar, esse mundo que alguns insistem, eufemisticamente, em tratar com as belas palavras de "vulnerabilidade social". Os pés-rapados, os fudidos, os sujos, a ralé, os pobres, os atormentados, os debauixo, na escala de servidão em que estamos metidos até o sangue. Tico, que já esteve vinte vezes internado em cativeiros modernos, narra, com conhecimento de causa e das causas, os horrores que a maquinaria do sistema fabrica, distribuindo suas doses de loucura para cada um. Ele observa tudo, não passa nada batido, mas também não nos deixa rastros, não apresenta vestígios de para onde iremos na próxima página. Uma coisa é certa, caro leitor, suas eventuais desgraças dificilmente serão piores que a desses personagens. (Binho - Poeta [Sarau do Binho]).

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