Tapa na cara
Curiosamente um estudo sobre o jeito brasileiro teve que ser feito por um americano, tamanho o tabu na nossa academia jurídica e de ciências sociais como um todo. Mais interessante ainda é notar o tom com que o autor expõe a questão. É quase como se ele ficasse horrorizado com o atraso (mesmo que seja um ensaio de 1998, muita pouca coisa mudou). É uma obra curta mas com muito conteúdo, indo das raízes ibéricas do jeito aos artifícios ''atuais''. De clara tendência à tradição de common law, algumas críticas de Rosenn infelizmente não serão ouvidas, mesmo que a jurisprudência brasileira venha caminhando passo a passo. Fortes críticas ao paternalismo, legalismo e burocracia no Brasil, esse ensaio por vezes faz a gente sentir vergonha na hora da leitura. Da corrupção ao sentimentalismo, ainda há muito o que se mexer para melhorar o mundo jurídico brasileiro. Por fim o mais urgente é a forma de encarar o ensino jurídico: Direito não deveria ser encarado como ciência positivista, e sim como prudência. Poucos alunos se interessam por estudos interdisciplinares de Filosofia, Sociologia, Psicologia, História; somente leis, leis e leis, em um positivismo maluco e nada saudável.
