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    Dever -

    Armando Freitas Filho

    Companhia das Letras
    2013
    166 páginas
    5h 32m
    ISBN-13: 9788535922547
    Português Brasileiro
    3.5
    20 avaliações
    Leram29Lendo1Querem14Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos1Desejados14Avaliaram20

    Armando Freitas Filho estreou em livro em 1963. Com Dever, comemora 50 anos de carreira e deixa claro por que é um dos maiores poetas em atividade no país. Na primeira parte, 'Suíte', o autor se detém em casas, roupas, móveis, etc., objetos do cotidiano que a princípio não teriam eco poético, caso não fossem, como afirma o autor, 'dispostos de tal forma que sirvam para fins estéticos'. A segunda, 'Anexo', já está na rua, é 'jornalística', mas sem abrir mão do transfigurador trabalho literário, dando conta dos eventos de antes e de agora, que atravessaram o poeta. A terceira, 'Numeral', que desde 2003 é a coda dos livros de Armando, continua a passar em revista sua poética, sempre sujeita a retificações futuras. É digna de nota sua capacidade de mesclar poemas íntimos, sobre a vida amorosa e familiar, a poemas que conversam com o noticiário contemporâneo, como o massacre da Candelária e o goleiro Bruno, e ainda dialogar com a novíssima poesia brasileira. Num dos poemas do livro, o autor traça uma genealogia breve da literatura brasileira, propondo um elo entre Machado de Assis, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Antonio Candido e João Cabral de Melo Neto.

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    Charlene Ximenes09/08/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Ir até o fim

    Armando estreitou nos livros em 1964. Com "Dever", comemora 50 anos de carreira, evidenciando sua significância como um grande poeta em atividade no Brasil. Eu, particularmente não o conhecia e foi o acaso de uma visita a biblioteca do CH da Universidade Federal do Ceará que me proporcionou essa descoberta. Decidi pegar o livro emprestado quando li na folha de rosto uma frase de Clarice Lispector: "O horrível dever é ir até o fim." Era para ser. Armando foi pesquisador na Fundação Casa de Rui Barbosa, secretário da Câmara de Artes no Conselho Federal de Cultura, assessor do Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, pesquisador na Fundação Biblioteca Nacional e assessor no gabinete da presidência da Funarte, onde se aposentou. Ganhou o prêmio Jabuti em 1986, com o livro "3x4" e em 2000, o prêmio Alphonsus de Guimarães, com o livro "Fio Terra", concedido pela Biblioteca Nacional. Dever é dividido em três partes. Na primeira, "Suite", o autor se detém em "casas, roupas, móveis etc.", objetos ligados a vida comum, que provavelmente perderiam a poesia caso não fossem, tal qual nos informa o autor, "dispostos de tal forma que sirvam para fins estéticos". A segunda parte da obra, "Anexo", passeia pela rua, é "jornalística", sem todavia perder o caráter literário, evidenciando variados eventos que percorrem o poeta. A terceira parte da obra se constitui de poesias a falar de poemas, Armando continua a passar em revista sua poética, sempre suscetível a retificações no futuro. O autor consegue se utilizar de poemas íntimos sobre a família e a vida amorosa, bem como de poemas que falam de temas atuais, como o massacre da Candelária e o goleiro Bruno. Além disso, chamou minha atenção o fato dele dialogar com a poesia brasileira atual, num poema feito tendo como ponto de partida o último livro de Angélica Freitas, "Um útero é do tamanho de um punho" . Há poemas que falam de poemas, há poemas que falam dos poetas. Senti-me num mergulho no desconhecido, já fui em busca de assistir entrevistas com o autor e gostei bastante do modo como ele vê a arte de escrever. Poesia é um dever em/para mim.

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    Armando Freitas Filho profile picture

    Armando Freitas Filho

    Armando Freitas Filho nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 1940. É considerado um dos principais expoentes da poesia contemporânea brasileira, e sua obra tem sido estudada por escritores e especialistas como Heloísa Buarque de Holanda, Flora Süssekind, Silviano Santiago e José Miguel Wisnik.

    21 Livros
    6 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Armando Freitas Filho