Enquanto Somos” reúne poemas cujas temáticas e sotaques buscam pincelar uma aquarela que resumiria o tempo de uma vida inteira: do cosmos ao caos. A primeira infância (do nascimento aos sete anos) é retratada no capítulo “O Ninho”, cujos versos caberiam perfeitamente em um livro infantil: “O peixe transparente/é parente/do caco de vidro/mas é vivo/(...)/o peixe transparente/só é visto/se vai à festa/e fica colorido”. Ou seu contraponto senil (“Abnegação”): “um minuto/apenas/para ver a vida passar/diante dos olhos//e tocá-la/com as pontas dos dedos”. Em mais de oitenta poemas, o painel poético do livro apresenta matizes e ritmos variados, propondo ao leitor acurar a percepção das vicissitudes e dos tropeços da existência e de “Que há dores verdadeiras/E glórias ainda não reveladas”. Em certo momento o autor confessa que “está aqui/na percussão da rua/dentro/do peito/um catavento//como um novelo/que fia tudo/que faço e vejo/(...)/já estão escritas as estrofes/que ainda revelarei”. Do texto “Os Setênios” que finaliza o livro, da terapeuta artística antroposófica Maria Alice Araújo, é a citação inicial desta resenha, e que orienta o leitor para o arcabouço sobre o qual o livro se constrói. Com ilustrações de Manuela Guerreiro (educadora Waldorf) e inúmeras referências da literatura cearense contemporânea, “Enquanto Somos” é o terceiro livro do poeta editado e apoiado pelo Banco do Nordeste.
Enquanto Somos -
Frederico Régis
Banco do nordeste
2013
120 páginas
4h 0m
ISBN-1: 0
Português Brasileiro
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